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Futebol

Antes das glórias, Chelsea não era conhecido por reforço brasileiro

Arquivo Geral

12/12/2012 14h09

Andar pelas ruas de São Paulo e não notar uma camisa do Chelsea às vésperas de sua estreia no Mundial de Clubes é algo improvável. O título da Liga dos Campeões 2011/2012 consolidou a fama internacional do clube de Londres e premiou o milionário Roman Abramovich pelos investimentos feitos desde 2003. Mas, antes de chegar ao patamar que se encontra hoje, a equipe amargou o ostracismo na própria Inglaterra e precisou conviver com o fato de até os seus próprios reforços não terem conhecimento sobre a sua história.

 

Este foi o caso do zagueiro brasileiro Gustavo Lazzaretti. O jogador, à época com 18 anos, chamou a atenção dos ingleses durante a sua passagem pelo J. Malucelli, de Curitiba, em 2003. Convidado para passar por um período de testes na equipe que o russo Abramovich havia acabado de adquirir, o atleta viajou para Stamford Bridge sem nem saber o que ao certo o esperava no Velho Continente.

 

“Eu não tinha ideia do que eu ia encarar na Inglaterra. Eu já tinha uma proposta do Porto, de Portugal, e fui para lá como se fosse uma viagem de turismo. Ganhava um salário mínimo em Curitiba e joguei as minhas fichas em um sonho. Nem falar inglês eu sabia e não tinha noção do que eu veria em Londres”, contou Gustavo à Gazeta Esportiva.net.

 

O desconhecimento do brasileiro com relação aos Blues era tamanho que nem nos aclamados vídeo-games da época o Chelsea figurava. “Antes de viajar, eu virei a noite procurando na internet o que era o Chelsea. Eu vi que o Abramovich estava entrando e contratando jogadores importantes. Mas nem no vídeo-game a gente sabia o que era. Todos gostavam do Manchester United e do Real Madrid, por causa do Ronaldo. Lá no Chelsea, o único que me chamava a atenção era o Desailly, que tinha sido campeão em cima do Brasil na Copa de 1998”, relatou.

 

Após ser recepcionado por um empresário no aeroporto e encaminhado para a casa de uma família preparada para receber jovens atletas estrangeiros, Gustavo passou a treinar nas categorias de base e foi aprovado pelos dirigentes azuis. O jogador chegou até a receber sondagens de outros clubes ingleses e fechou contrato de um ano com o Chelsea perto do término da janela de transferências da época.

 

A sua aventura em Londres, entretanto, se tornou ainda mais complicada por causa das dificuldades de se aprender o inglês. “Eu era o único brasileiro e ainda dei azar, porque um português que jogava lá havia ganhado férias de um mês depois de defender o sub-17 do seu país. Eu fiquei quase um mês sem nem falar português. Colocaram um professor para me ensinar, mas eu não consegui aprender muita coisa. Só que a língua do futebol é universal e dentro de campo a gente vai vivenciado isso”, disse Gustavo.

 

Mesmo sem ter condições de se comunicar com as estrelas recém-contratadas por Abramovich e os ídolos John Terry e Frank Lampard, o zagueiro conseguia notar os primeiros passos dados pelo clube que se tornaria uma das potências inglesas. Entre as principais conquistas alcançadas pelos milionários investidores, Gustavo acredita que o reconhecimento dos torcedores adversários e a rivalidade que floresceu com os grandes times da Inglaterra merecem o seu devido destaque.

 

“O Chelsea não fazia parte dos grandes clássicos da Inglaterra. Você ouvia os torcedores e a imprensa falarem muito dos duelos entre o Manchester United e o City e dos jogos feitos por Arsenal e Liverpool. O Chelsea não entrava no meio e hoje o negócio é bem diferente”, descreve. “Essa mudança veio junto com os investimentos. O Abramovich já havia comprado todos os terrenos que ele queria naquela época. O dinheiro gasto superava o de qualquer clube da Inglaterra. Lembro até hoje das quatro viagens que ele fez uma seguida da outra para contratar o argentino Verón, que era um ídolo do Manchester United.”

 

A passagem de Gustavo pelo Chelsea terminou em 2004. O jogador disputou apenas campeonatos auxiliares na Inglaterra e retornou ao Brasil para defender o Botafogo. Além do Glorioso, o atleta acumula passagens por Udinese e Treviso, da Itália, Atlético-PR, Vitória de Guimarães, de Portugal, El Sharjah, dos Emirados Árabes, e Ponte Preta, o seu atual clube.

 

O Chelsea, por sua vez, deslanchou após a saída do então técnico Claudio Ranieri. O português José Mourinho, que hoje dirige o Real Madrid, foi contratado em seguida para dar início ao vitorioso projeto que culminou no título da Liga dos Campeões deste ano. Agora, sob o comando de Rafa Benítez, os Blues entrarão em campo nesta quinta-feira, contra o Monterrey, para adquirir o direito de enfrentar o Corinthians na final do Mundial de Clubes.

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