Quem acha que a molecada “geração computador” de hoje é boba está muito enganado. Ontem, no treino da seleção no Centro de Capacitação dos Bombeiros (Cecaf), ao lado do colégio militar Dom Pedro II, o estudante Gabriel Alvim e sua trupe deram um verdadeiro olé na segurança que cuidava do treino que, por determinação de Felipão, foi fechado para o público.
A saga dos garotos começou logo após o tocar do sino da hora do almoço. Em vez de ir embora para casa, Gabriel e os amigos começaram a colocar em ação o plano de assistir ao treino da seleção.
“A gente está aqui desde o meio-dia, estou morrendo de fome. Pedimos para um coronel nos liberar para passar por aqui, daí nos escondemos e agora estamos aqui esperando começar o treino”, contou Gabriel. Em comum aos seis garotos de 12 anos, a vontade de conhecer de perto as estrelas do Brasil. “Me amarro em futebol. Onde tem, eu estou lá jogando. Vim para ver o Oscar”, revelou.
Por água abaixo
Corria tudo bem e a operação parecia ser um sucesso. Porém, pouco antes de o ídolo Oscar e os outros selecionados entrarem em campo, os seguranças conseguiram descobrir os invasores infiltrados na imprensa. Descobertos, o que não faltou foi bronca para os torcedores mirins.
O treino de ontem havia sido liberado apenas para a imprensa e para familiares e amigos ligados ao Corpo de Bombeiros.
Só Henrique não treinou
A atividade de ontem contou com quase todos os selecionados até o momento. Com os cortes de Daniel Alves e Hulk, só o zagueiro Henrique foi poupado da atividade no campo por conta de uma pancada no tornozelo, sofrida na última partida do Palmeiras na Série B, contra o Ceará. O jogador fez um trabalho separado sob o comando dos fisioterapeutas.
No primeiro dia no centro de treinamento dos bombeiros, os jogadores trabalharam em meio campo, sem nenhuma pista de como será formada a seleção, que não conta com três dos titulares na conquista da Copa das Confederações.
Provável substituto de Daniel Alves, Maicon foi, ao lado de Alexandre Pato, a novidade no CT dos bombeiros, local onde a seleção brasileira treinou na partida contra o Japão na Copa das Confederações no mês de julho.
Agradecido
Pouco antes do treino, Alexandre Pato agradeceu ao treinador do Corinthians por sua nova chance. “Para chegar à seleção é preciso ter sequência no clube. Encontrei um profissional (Tite) que está me ajudando muito.”
Pequenos são ignorados
O ônibus canarinho mal havia estacionado no Cecaf e bem próximo dali, separados por uma cerca, os gritos das crianças do colégio militar Dom Pedro II ecoavam em todo o centro de treinamento.
Os coros eram diversos, do queridinho da molecada Neymar até o goleiro Julio Cesar, todos clamavam por seus ídolos. “Sou fã do Alexandre Pato mas estou a fim de ver todo mundo”, comentou o corintiano Bruno Xandeco.
O garoto de 12 anos se apertava na grade ao lado dos falantes amigos. Entre eles, Igor Lima, mostrou estar esperto quanto aos jogadores. Inclusive, lembrou de um dos antigos desafetos que conseguiu se redimir. “Eu achava o David Luiz ruim, mas quando ele salvou aquela bola na final contra a Espanha, eu comecei a gostar dele”, lembrou.
Mas não teve só elogios, sobrou uma pequena cornetada para o lateral Marcelo. “Ele até que trabalha bem (no Real Madrid), mas não consegue jogar na seleção”, comentou um dos jovens.
somente das grades
A festa feita pela garotada, no entanto, ficou somente na gritaria. Ao final, nenhum jogador atendeu as crianças que ali estavam.