No apito final do 0 a 0 com o Grêmio que ratificou o Palmeiras na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, uma criança chorou, abraçando o pai em busca de consolo nas numeradas cobertas do Pacaembu nesse sábado. A cena reflete que a torcida, ainda, não opta por protestar contra o time. Mas Luiz Felipe Scolari já avisa: podem responsabilizá-lo pelos problemas.
“Eles têm todo o direito nesse momento de me chamar de burro. O time não está jogando bem e quem escolhe os jogadores e a parte tática sou eu. Se temos uma ou outra dificuldade, a maioria dos jogadores foi escolhida por mim. Portanto, se está dando errado…”, declarou o técnico.
A rejeição ao nome do treinador era maior antes da conquista da Copa do Brasil, há menos de dois meses. O próprio Felipão concordou com as críticas, já que, em dois anos, não tinha nem chegado à uma final de campeonato. Mas o ambiente mudou com o primeiro título nacional do clube desde a Copa dos Campeões de 2000.
Como fruto da conquista ou pela necessidade de apoio do time para evitar o segundo rebaixamento de sua história, a torcida tem colaborado. O público presente nas partidas do clube aumentou com a decisão da diretoria em deixar de mandar jogos na Arena Barueri, voltando à capital para atuar no Pacaembu.
O clima ainda é mais de apreensão pela situação na liga nacional do que de revolta. Ciente de que tudo pode mudar, Scolari agradece. “Fico feliz que não tenham me chamado de burro. Mas, se tivessem chamado, não mudaria nada. Fazemos o que temos, vamos ver até quando vamos suportar isso em nosso ambiente”, afirmou.
O técnico, com contrato até 31 de dezembro, até se recusa a avaliar publicamente seu trabalho. “Não posso analisar se foram substituições erradas”, alegou, justificando as entradas de Maikon Leite, Correa e Mazinho diante de um Grêmio em inferioridade numérica desde os 15 minutos de jogo. “Estávamos embolando tudo que é jogada. Se eu tivesse colocado o Obina, ia ficar mais embolado. Por isso, tentei abrir o jogo”, explicou.