Enquanto parte dos torcedores que foi ao Engenhão vaiava Joel Santana e o Botafogo mesmo após a eliminação sobre o River Plate, do Sergipe, nos pênaltis, os jogadores se reuniam no campo para dar um abraço coletivo no treinador. E o atacante Caio deixou escapar até que o triunfo desta quarta-feira já era esperado como chance de redenção.
“A gente sabia que ia ganhar. E fomos homenageá-lo”, contou Caio, atribuindo a certeza pela confiança que o time tem no goleiro Jefferson. “Temos um excelente goleiro e, quando foi para os pênaltis, a gente sabia que ia ganhar”, insistiu o atacante.
O zagueiro Valdson, de 35 anos e com passagem por Botafogo, Flamengo e Corinthians, discordou da previsão que fizeram contra o seu time. “Quem imaginou que seria uma vitória fácil viu o que aconteceu. E nem sei se foi gol”, disse o defensor do River Plate. “Minha equipe está de parabéns. Vendemos muito caro a derrota e pênalti é loteria”, completou.
Otimismo à parte, a união de praticamente todos os atletas do Botafogo que estiveram em campo em volta de Joel foi uma reação à ira da torcida. O treinador não foi perdoado no fim do tempo regulamentar, vencido por 1 a 0, e a irritação também foi direcionada ao presidente Maurício Assumpção e o vice-presidente de futebol André Silva, xingado ao entrar em campo antes da disputa de pênaltis.
Mesmo homenageado, Joel Santana deixou o gramado visivelmente incomodado com a situação. Apoiado também pela comissão técnica, o treinador evitou encarar os torcedores, embora alguns deles gritassem palavras de incentivo.
“Quando o Joel chegou (no início de 2010), o Botafogo estava sofrendo, tínhamos perdido de 6 a 0 para o Vasco. Foi ele quem levantou nossa autoestima. E é um cara sempre preocupado tanto com a nossa família quanto com a dele”, defendeu Antônio Carlos. “É difícil falar, a cobrança no clube está muito grande nos últimos anos, mas vamos continuar trabalhando, sem vaidade”, concluiu o zagueiro.