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Revista Vogue publica perfil da primeira-dama da Ucrânia

A matéria de uma revista americana apresenta o crescente papel de Olena Zelenska em apelos por mais ajuda à Ucrânia na guerra

A matéria de uma revista americana apresenta o crescente papel de Olena Zelenska em apelos por mais ajuda à Ucrânia na guerra Foto: Reprodução

Olena Zelenska, a primeira-dama da Ucrânia, foi tema de uma reportagem da nova edição americana da revista de moda Vogue. O texto, acompanhado de diversas fotos feitas pela célebre fotógrafa Annie Leibovitz, é um perfil de Zelenska quanto um panorama dos efeitos da guerra lançada pela Rússia no final de fevereiro contra o país do Leste Europeu.

“Desde o início, essa guerra foi travada tanto nos campos de batalha quanto no espaço da informação, no qual [o presidente Volodimir] Zelenski – experiente, telegênico, pé no chão com suas famosas camisetas verde-oliva – se destacou. Agora, em uma nova fase crucial, com a Ucrânia lutando por apoio internacional e mais ajuda militar, o papel da primeira-dama não é mais pequeno ou ornamental. Depois de passar os primeiros meses da guerra escondida, Zelenska, que, como seu marido, tem 44 anos, surgiu em público para se tornar um rosto de sua nação”, diz um trecho do artigo, que relembra que a primeira dama já tomou parte em apelos por apoio à Ucrânia, como num recente discurso ao Congresso dos Estados Unidos.

A reportagem, intitulada “Retrato da bravura”, é assinada pela jornalista Rachel Donadio, que já trabalhou para o jornal The New York Times e é também colaboradora da revista Atlantic. Donadio já cobriu temas como a censura enfrentada por artistas na Rússia e no Irã e temas diversos como o separatismo catalão e tensas eleições na Grécia.

O artigo apresenta diversas falas de Zelenska sobre como ela vem encarando o conflito. “Estes foram os meses mais horríveis da minha vida e da vida de todos os ucranianos. Francamente, acho que ninguém está ciente de como conseguimos lidar emocionalmente. Estamos ansiosos pela vitória. Não temos dúvidas de que venceremos. E é isso que nos mantém em movimento”, disse a primeira-dama à jornalista.

A versão em português do artigo foi publicada pela Vogue brasileira.

As fotos de Annie Leibovitz que acompanham o texto mostram Zelenska em frente a uma escadaria, ao lado de sacos de areia usados para diminuir o impacto de bombas. Outra cena mostra a primeira-dama ao lado de um grupo de soldados ucranianos num hangar destruído, no qual é possível ver os destroços da célebre aeronave An-225 Mriya, que era o maior avião do mundo antes de ser atingido por bombas russas no início do conflito.

Zelenska é casada com Volodimir Zelenski desde 2003, e o casal tem dois filhos. Formada em arquitetura, ela trabalhava como redatora e editora de um programa de comédia da produtora do marido, a Studio Kvartal 95, antes de assumir o papel de primeira-dama.

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Foto: Reprodução

Dividindo opiniões

A matéria da Vogue dividiu opiniões, especialmente por causa das fotos de Leibovitz. Críticos classificaram as imagens como frívolas e de mau gosto em meio ao conflito. Defensores, por outro lado, argumentaram que a Ucrânia precisa ocupar todos os espaços de mídia para propagar sua causa, mesmo publicações como a Vogue. Um número considerável de críticas evitou mencionar a reportagem que acompanha as fotos, amplificando a visão que tudo não passaria de um mero ensaio fotográfico.

Nas redes sociais, usuários pró-Rússia aproveitaram a reportagem da Vogue para atacar Zelenski, pintando o casal presidencial como egocêntrico. Mas mesmo entre observadores que simpatizam com a causa ucraniana ou são críticos do Kremlin, as imagens provocaram reação negativa.

“Zelenski tem feito um trabalho espetacular em derrotar os russos na guerra de informação. Sessão fotográfica em tempos de guerra para a Vogue: uma ideia ruim”, escreveu no Twitter Ian Bremmer, cientista político e fundador do Grupo Eurasia, uma conhecida consultoria de riscos geopolíticos.

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Em reposta ao tuíte de Bremmer, Paul Niland, fundador de um serviço de aconselhamento de prevenção ao suicídio na Ucrânia, mostrou discordância com o cientista político. “Não é o ponto de vista aqui na Ucrânia, onde a primeira-dama se tornou uma figura cada vez mais vital. Esse reconhecimento é importante, validador para os ucranianos”, escreveu.

Donadio, autora do artigo, respondeu às críticas no Twitter e reclamou dos veículos de imprensa que promoveram a controvérsia sobre as fotos. “Divertido ver os meios de comunicação em todo o mundo criarem controvérsia sobre se os Zelenskis deveriam ter posado para Annie Leibovitz na revista Vogue – chama-se soft power – enquanto apenas republicam suas fotos para direcionar o tráfego”, disse a jornalista.

Essa também não é a primeira vez que o “mundo da moda” e o conflito na Ucrânia dividem espaço. Em março, durante a Semana de Moda de Paris, Demna Gvasalia, o diretor criativo e estilista da Balenciaga, promoveu um desfile-protesto contra a invasão russa da Ucrânia. Nascido na Geórgia, Gvasalia é um antigo refugiado do conflito da Abecásia, que estourou na antiga república soviética no início dos anos 1990.

Já o grupo editorial americano Condé Nast, que edita a Vogue, anunciou em março a suspensão da sua atividade na Rússia, onde publicava há mais de 20 anos uma versão local de sua célebre revista de moda e variedades.

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“Decidimos suspender todas as nossas operações da publicação Condé Nast Rússia”, escreveu à época o presidente do grupo, Roger Lynch, em comunicado. “Continuamos chocados e horrorizados com a violência sem sentido e a trágica crise humanitária na Ucrânia. (…) e com a recente adoção pelo governo russo de novas leis de censura.”








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