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Estilo de Vida

O privilégio de ser pai em home-office

Pai de duas meninas, Márcio Cândido destaca que os momentos mais simples do cotidiano se tornaram os mais importantes

Vítor Mendonça

11/08/2023 6h17

Foto: Vitor Mendonça/ Jornal de Brasília

“É um privilégio”, descreveu Márcio Cândido Júnior, 36 anos, sobre ter as duas filhas como parte da rotina de trabalhar remotamente. De dentro do escritório em casa, ele consegue acompanhar o desenvolvimento das filhas Manuella, de 7 anos, e Rafaella, de 4. O convívio familiar, também aproveitado com a esposa, Isabella Cândido, 40, garante que o analista de Tecnologia da Informação (TI) exerça a paternidade de maneira profunda.

Dentro da casa, no Park Way, Márcio e Bell montaram um escritório como extensão do quarto para trabalharem. Ao lado, quase no mesmo ambiente, está também a mesa do escritório infantil das meninas, onde realizam as tarefas da escola e costumam pintar e brincar – bem à vista dos pais.

Com o pai tão próximo, não faltam oportunidades para Manu e Rafa correrem para o colo de Márcio, oferecerem beijos e abraços, além de entregar cartinhas e desenhos feitos no escritório ao lado. Durante as reuniões de trabalho que acontecem de forma remota, Márcio conta que a porta está sempre aberta e que as aparições nas chamadas não são raras.

“De vez em quando elas gritam que vão ao banheiro antes de eu desligar o microfone”, contou. “Ou então elas vêm aqui e gesticulam que querem falar alguma coisa e eu silencio minha voz na reunião”, continuou. Nas vezes em que Márcio fecha a porta, porém, as duas filhas entendem que o pai está em um momento sério, em uma reunião importante, e que precisa do máximo de silêncio.

Tempo de qualidade

Além do benefício do home-office, com qualidade de vida e melhor gestão de tempo, estar em casa garante o acompanhamento do desenvolvimento das filhas. Assim, ele consegue ajudar nos deveres de casa, dar atenção quando querem mostrar alguma novidade ou para acolher e prover segurança de socorro em algum eventual problema ou acidente.

Os momentos mais comuns do cotidiano, segundo Márcio, se tornam os mais importantes, porque geram conexão e um relacionamento saudável entre todos. “Estou tendo a possibilidade de aproveitar algumas coisas que são simples, mas para mim, como pai, é muito bom, como levar e trazer da escola, almoçar juntos, tomar café da manhã juntos. Acho isso importante e para mim é um dos maiores benefícios”, destacou. “Nós somos muito intencionais nisso.”

Foto: Vitor Mendonça/ Jornal de Brasília

“Sinto que estar perto, além de me fazer bem por ver que não estou perdendo tempo de qualidade [em família], vejo que para elas também é importante saber que o pai delas está por perto”, afirmou. Outra vantagem, conforme contou, é ajudar a esposa, seja para ficar com as meninas enquanto ela se concentra no trabalho ou em outra tarefa, seja quando é preciso ajudar em algo dentro de casa.

Em pelo menos duas situações, Márcio destaca que trabalhar dentro de casa foi uma vantagem para estar perto das filhas. Uma delas foi quando Rafa começou a passar muito mal e começou a vomitar. Por estar em casa, conseguiu agir com rapidez para irem ao hospital, evitando que algo pior acontecesse com a filha. Em outro aspecto, ele tem a oportunidade de ver a evolução das meninas na superação de tarefas que são desafios para elas.

“As duas fazem natação na piscina daqui e a Manu tinha dificuldade em molhar o rosto. E quando ela fez o primeiro mergulho dela, eu estava aqui. A professora chamou e eu fui ver. Essa foi uma lembrança muito legal”, compartilhou. “Quando elas têm algum problema na escola, eu consigo ir buscar também.”

Outro aspecto que os pais notaram ser relevante para as meninas foi o amadurecimento emocional que ambas tiveram, especialmente a Manu, uma vez que ela conheceu tanto a realidade do pai sair todos os dias para ir ao trabalho presencial quanto a atual, em que ele permanece dentro de casa. “Em uma época em que a Manu estava com algumas inseguranças e foi à psicóloga, o fato de eu estar aqui ajudou no processo dela amadurecer e se sentir mais segura”, destacou o pai.

Nos dias em que há algum problema com internet ou energia em casa, forçando o deslocamento até o escritório da empresa, tudo se torna mais difícil dentro da rotina familiar. Além do tempo perdido no trânsito, Márcio deixa de levar e pegar as filhas na escola e almoçar junto com elas. “Aí a Rafa já chora, porque está acostumada comigo aqui. A Manu entende mais. Uma volta presencial seria muito difícil para elas e para mim também”, afirmou.

Enquanto Manuella precisou dividir a presença do pai durante quatro anos com o escritório da empresa em que Márcio trabalha, Rafaella sempre o teve por perto no dia a dia. Essa diferença gerou diferentes acompanhamentos do desenvolvimento das filhas. Com a mais velha, os primeiros passos, as primeiras palavras e frases foram vivenciados só no fim do dia, quando chegava em casa.

“A surpresa era sempre a mesma, mas é diferente ver o processo dela se desenvolvendo. Elas poderem compartilhar as conquistas na escola, sentarmos juntos no almoço, conversarmos sobre o dia, os desafios, ajudar elas a se arrumarem, tudo isso fez com que os laços e a conexão afetiva se tornassem mais fortes, porque eu estou presente. E elas valorizam isso”, contou.

Ser pai

Para Márcio, ser pai é a maior responsabilidade que recebeu durante toda a vida. Trata-se, segundo ele, de um privilégio acompanhado de um desafio de dedicação integral à família. “A paternidade para mim tem a ver com proteção, cuidado, aprendizado, responsabilidade de gerar algo que transforme a vida delas, que gera uma herança sobre elas. Ter uma cultura de obediência, de amor, de alegria, de respeito”, defendeu.

“Acho que só senti mesmo o peso de ser pai quando coloquei elas no colo. Foi naquele momento que eu senti que eu tinha que dar muito além de mim por elas. Ser pai eu vejo como um presente, mas não um em que só eu me beneficio, mas como uma doação por completo. Me vejo me entregando completamente a duas pessoas que merecem meu melhor”, afirmou.

Foto: Vitor Mendonça/ Jornal de Brasília

No processo de ser pai de duas meninas pequenas, Márcio destaca que precisou assumir um papel essencial como homem dentro de casa, visando garantir o melhor para a família. “Eu amadureci, cresci, aprendi, valorizei melhor, entendo melhor, consigo cuidar de outras pessoas de uma forma melhor, porque eu tenho duas pessoas que precisam do meu cuidado”, concluiu.

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