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Na Garagem

Mario Augusto de Castro, especialista em carros antigos, explica os erros na primeira compra

Especialista reúne orientações para ajudar colecionadores iniciantes a fazer escolhas mais seguras e evitar prejuízos

Redação Jornal de Brasília

03/09/2026 15h52

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Foto: Reprodução

Para quem decide comprar um carro antigo pela primeira vez, a euforia costuma pesar mais que o planejamento. O comprador se apaixona por um modelo, negocia rápido e só depois percebe que faltou avaliar pontos essenciais da negociação. Todavia, grande parte dos problemas enfrentados por iniciantes no hobby nasce justamente dessa pressa em fechar negócio sem entender o que a compra realmente exige.

Como ressalta o colecionador de veículos antigos, Mario Augusto de Castro, escolher o modelo certo, verificar a procedência do veículo e reservar orçamento para peças são etapas que exigem tempo e método antes de qualquer negociação. Assim, quando o entusiasmo substitui a análise, o resultado costuma ser um carro parado na garagem e um orçamento estourado logo nos primeiros meses. Interessado em saber quais são os principais erros de iniciantes? Confira nos próximos parágrafos.

Escolher o modelo pela paixão, e não pelo planejamento

O primeiro erro comum acontece antes mesmo da compra: a escolha do modelo. Muitos iniciantes se apegam a um carro que viram na infância ou que despertou desejo repentino, sem considerar disponibilidade de peças, custo de manutenção ou complexidade mecânica. Contudo, essa escolha emocional tende a gerar arrependimento quando a manutenção se revela mais cara do que o previsto no início do processo, conforme pontua Mario Augusto de Castro.

Modelos raros ou importados parecem atraentes à primeira vista, mas dificultam a reposição de componentes originais e elevam o custo de qualquer reparo simples. Desse modo, um colecionador iniciante que teria acesso fácil a peças de um modelo nacional popular pode se ver obrigado a importar itens básicos, o que encarece o processo e estende prazos de forma considerável, atrasando a restauração planejada.

Como calcular o orçamento real para manter um carro antigo?

Outro deslize recorrente é subestimar o valor total da posse. O preço de compra do carro antigo costuma representar apenas uma fração do investimento necessário ao longo do primeiro ano. Restauração, peças de reposição, seguro específico e armazenamento adequado somam custos que muitos iniciantes descobrem tarde demais, quando já não há margem financeira para lidar com eles sem se desfazer de outros bens.

Logo, antes de fechar negócio, faz sentido reservar um valor adicional para os primeiros meses de posse, período em que problemas ocultos costumam aparecer com mais frequência. Mario Augusto de Castro assevera que o colecionador que planeja esse fôlego financeiro evita decisões de última hora, como vender o carro rapidamente por falta de recursos. Assim sendo, os seguintes gastos costumam pegar o comprador de surpresa:

  • Peças originais descontinuadas, que exigem busca em fornecedores especializados;
  • Mão de obra de mecânicos especializados em carros antigos, mais cara que a de oficinas comuns;
  • Seguro específico para veículos de coleção, com regras próprias de cobertura;
  • Armazenamento em local seco e coberto, essencial para evitar deterioração da lataria.

Esses itens raramente entram na conta inicial, mas fazem diferença real no orçamento de quem está começando a colecionar.

Por que a procedência do veículo é ignorada com tanta frequência?

A pressa também leva iniciantes a dispensar a verificação da procedência antes de fechar negócio. Documentação desatualizada, histórico de acidentes não informado e retificações mal feitas são problemas que só aparecem depois da compra, quando corrigi-los já custa muito mais caro do que investigar antes. Um exame prévio detalhado, feito por alguém com experiência no segmento, evita boa parte dessas armadilhas comuns entre iniciantes apressados.

Dessa maneira, muitos compradores confiam apenas na aparência externa do carro antigo, sem investigar motor, câmbio e estrutura interna com atenção. De acordo com o colecionador de veículos antigos, Mario Augusto de Castro, essa avaliação superficial costuma esconder desgastes que só um especialista identifica, e o problema só aparece quando o veículo já está na garagem do novo dono, exigindo reparos inesperados.

Colecionar exige método, e não impulso.

A compra de um carro antigo pode ser uma experiência gratificante quando feita com critério e planejamento adequado. O entusiasmo inicial tem espaço, mas funciona melhor quando vem acompanhado de pesquisa sobre o modelo, orçamento realista e verificação cuidadosa do histórico do veículo antes da negociação.

Assim sendo, decisões tomadas com calma reduzem consideravelmente o risco de frustração nos primeiros meses de posse. No fim, quem entra no hobby com paciência evita boa parte dos prejuízos que atingem os iniciantes apressados logo na primeira compra.

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