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A morte cruel de Jacó

Por Arquivo Geral 07/03/2019 8h22
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Com apenas 9 anos um atleta do nosso país alcançou uma conquista histórica: foi o primeiro brasileiro a se qualificar para o CRUFTS, o maior campeonato mundial de seu esporte. Aguardávamos ansiosos, pois em poucos dias ele embarcaria rumo ao Reino Unido para nos representar — e com chances reais de ganhar. Mas neste sábado, dia 23, ele foi cruelmente assassinado enquanto se divertia com sua família na praia.

Nosso grande herói Jacó, o primeiro cão brasileiro a chegar onde nenhum outro chegou, perdeu sua vida sem a menor justificativa.

Eu poderia apostar que ao ler “brasileiro assassinado” a maioria dos leitores tenha ficado chocado e que, talvez, ao ler “cão brasileiro”, outros possam ter pensado: ufa, era só um cachorro.

Não, Jacó não era “só um cachorro”. Não são só cachorros, são vidas. São filhos, são irmãos, são amigos de alguém. São seres que muitas vezes confortam corações e auxiliam pessoas com problemas de saúde, dificuldades de locomoção, deficiências físicas. São seres que resgatam humanos de desastres naturais, que auxiliam polícia, bombeiros, fazendeiros. Que praticam esportes e trazem orgulho para suas nações, como era o caso de Jacó.

Quem conhece sua história sabe que ele era o Ayrton Senna canino, e que trouxe muito orgulho para nós que acompanhávamos seus feitos e suas vitórias.

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Estávamos todos contando os dias para ver Jacó e seu tutor e treinador, Vladinir Maciel, brilhar na categoria freestyle (esporte de dança com cães) do maior campeonato canino do mundo. Enquanto brincavam na praia no sábado, o motorista de uma caminhonete Amarok, que estava na areia, virou-se na direção de Jacó e o atropelou propositalmente em alta velocidade, fugindo sem prestar socorro, segundo testemunhas. Jacó lutou até o fim mas não conseguiu sobreviver. Veio a óbito pouco tempo depois.

Foi com lágrimas nos olhos que recebi essa notícia tão amarga e aos prantos assisti Vlad contando como foram os últimos minutos de Jacó. Qualquer pessoa que tenha uma ligação forte com algum animal consegue imaginar a dor que a família está sentindo e a revolta com o fato de uma pessoa deliberadamente tirar uma vida que não fez absolutamente nada além de estar em um local público com sua família.

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A morte de Jacó traz novamente à luz a questão do desrespeito e dos maus tratos para com os animais. Sejam animais de família como é o caso dele ou animais de rua como foi o caso do cachorrinho do Carrefour: para todos os lados que se olhe, encontramos cenas como essas que passam impunes para quem matou e os que foram mortos são esquecidos.

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Quer as pessoas gostem ou não, praias, praças e parques são locais públicos e os cães vão por ali transitar. Não sou da política de que todos devem amar a todos. Cada um tem o direito de odiar o que ou quem quiser, mas todos temos a obrigação de respeitar os demais. Sejam animais humanos ou não, somos, acima de qualquer coisa, seres vivos.

A areia é para pés e patas, não para rodas. Essa semana foi o Jacó, mas poderia ter sido uma criança, um idoso ou qualquer outra pessoa. Praia não é lugar de carro, para isso servem as ruas. Quantos mais precisam perder a vida para que se faça, enfim, alguma coisa?

O Brasil perde um campeão e o céu ganha uma estrela que nunca vai parar de brilhar. Vlad e família, que o tempo conforte seus corações.

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