Mais de 100 vinícolas, cerca de 200 expositores e a expectativa de receber nove mil visitantes transformaram Brasília, entre os dias 25 e 27 de junho, na capital do vinho brasileiro. Em sua terceira edição, a Expovitis Brasil consolidou-se como a principal feira dedicada exclusivamente à produção nacional, reunindo produtores, especialistas, compradores e consumidores em uma programação que vai além das taças. Entre degustações, rodadas de negócios, palestras e experiências gastronômicas, um estande chamou a atenção por contar uma história que começou há mais de um século, muito antes do primeiro vinho ser servido.
Para a presidente da Confraria Amigas do Vinho – seção Brasília, Raquel Alves Massanori, o grande destaque desta edição são as rodadas de negócios. Presente em todas as edições do evento, e nesta como compradora, ela enxerga a iniciativa como uma excelente oportunidade: “O diferencial desta vez é a rodada de negócios, que aproxima vendedores e compradores. Esse, para mim, é o ‘X’ da questão”.
Na Queijaria Coqueiral, o protagonista não é apenas o queijo artesanal, mas a tradição da família do empresário e proprietário do Jornal de Brasília, Lourenço Peixoto. Produzido em sua fazenda, o queijo mantém viva uma receita que atravessou aproximadamente 150 anos, herdada de familiares cearenses e preservada ao longo de gerações.
Quem apresenta essa história aos visitantes é Juliana Moraes, coordenadora da queijaria. Segundo ela, a ideia surgiu quando Lourenço decidiu transformar um patrimônio afetivo da família em um projeto capaz de levar essa tradição para a mesa dos brasileiros.
“O Lourenço me convidou para fazer parte desse projeto da Queijaria Coqueiral. O queijo nasceu de uma tradição da família dele, com cerca de 150 anos. É uma receita que veio do Ceará, um queijo mais firme, com casca amarelada e um sabor muito característico”, conta Juliana.
Hoje, a produção acontece na fazenda da família e já conquistou o selo Arte de Goiás, certificação concedida pela Agrodefesa que permite a comercialização em todo o território nacional. O reconhecimento reforça a qualidade de um produto que preserva técnicas artesanais sem abrir mão dos padrões sanitários exigidos para alcançar novos mercados.
Na Expovitis, o queijo divide espaço com outro orgulho regional: os vinhos produzidos no Centro-Oeste. A harmonização entre os dois produtos acontece por meio da Rota dos Pirineus, iniciativa da qual Juliana é fundadora e diretora. O projeto reúne produtores de Pirenópolis, Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás para oferecer experiências que unem enoturismo, gastronomia e turismo rural.
“Nós unimos produtores para criar essa rota de queijos e vinhos. O visitante pode conhecer as queijarias, visitar as vinícolas, participar de almoços harmonizados e viver toda essa experiência ligada aos produtos da região”, explica.
Segundo Juliana, eventos como a Expovitis ajudam a fortalecer a cadeia produtiva ao aproximar consumidores dos pequenos produtores e ampliar o conhecimento sobre a produção brasileira.
“A expectativa é muito boa. Estamos aqui com a Rota dos Pirineus trazendo bastante queijo e vinho e esperamos receber muitas pessoas para degustar e conhecer nossos produtos”, afirma.
A valorização dos produtos nacionais também é percebida por quem acompanha a evolução do setor vitivinícola desde o início. Casada com Ronaldo Triacca, um dos idealizadores da Expovitis, Ana Cenci Triacca avalia que o preconceito em relação ao vinho brasileiro vem diminuindo à medida que a qualidade da produção cresce.
“Existe ainda um certo preconceito, mas o consumo vem aumentando. Os produtores têm trabalhado juntos para incentivar que o brasileiro consuma vinho brasileiro. A qualidade cresceu muito e eventos como a Expovitis ajudam a mostrar isso”, afirma.
Ela destaca que a feira tem um diferencial importante: reunir exclusivamente vinhos nacionais, oferecendo ao visitante a oportunidade de degustar, conhecer os produtores e adquirir os rótulos diretamente das vinícolas.
Além das degustações, a Expovitis Brasil 2026 promoveu rodadas de negócios em parceria com o Sebrae, palestras sobre inovação, competitividade e enoturismo, masterclasses, concursos de qualidade e experiências gastronômicas, consolidando Brasília como um dos principais pontos de encontro da vitivinicultura nacional.
Nesse cenário, a Queijaria Coqueiral representa um exemplo de como tradição e inovação podem caminhar juntas. A receita preservada por gerações na família de Lourenço Peixoto encontrou espaço em um dos maiores eventos do setor para mostrar que o queijo artesanal brasileiro pode ocupar o mesmo protagonismo dos vinhos nacionais.
Mais do que vender um produto, Juliana diz que a missão é compartilhar uma história construída ao longo de 150 anos. A cada fatia servida durante a feira, o público conhece não apenas um queijo premiado e certificado, mas uma herança familiar transformada em patrimônio gastronômico do Centro-Oeste, fortalecendo uma cadeia produtiva que cresce a cada safra e a cada edição da Expovitis Brasil.