Sintomas que fazem parte da rotina, como cansaço, dores recorrentes, mudanças no funcionamento do intestino e dificuldade para dormir, muitas vezes acabam sendo ignorados. Quando, porém, essas manifestações persistem, ficam mais intensas ou começam a prejudicar as atividades do dia a dia, é importante buscar avaliação médica.
O diagnóstico precoce e o acompanhamento profissional são considerados estratégias importantes para reduzir complicações relacionadas às doenças crônicas, que estão entre as principais causas de morte no Brasil.
Um dos sinais mais frequentes é a fadiga. O cansaço depois de um dia agitado é esperado, mas a situação merece atenção quando o repouso não é suficiente para recuperar a disposição. Segundo Carlos Rassi, cardiologista e coordenador de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, a fadiga persistente pode estar associada a diferentes fatores, incluindo sono inadequado, anemia, alterações hormonais, doenças cardiovasculares, ansiedade e burnout.
“O cansaço que não melhora após uma boa noite de sono ou aparece acompanhado de falta de ar, dor no peito, palpitações ou tonturas merece investigação médica”, afirma o especialista.
De acordo com Rassi, o cansaço pode aparecer como um dos primeiros sinais de diferentes problemas de saúde e, por isso, não deve ser automaticamente atribuído a uma rotina intensa.
Mudanças no intestino também merecem atenção
Prisão de ventre recorrente, sensação de estufamento, dores abdominais e períodos alternados de diarreia e constipação também são sintomas que costumam ser naturalizados. Quando essas alterações se tornam frequentes ou persistentes, no entanto, a recomendação é procurar avaliação médica.
O gastroenterologista Alexandre de Sousa Carlos, do Hospital Sírio-Libanês, destaca alguns sinais que exigem atenção.
“Sangue nas fezes, perda de peso sem causa aparente, dores intensas ou quadros que se prolongam por semanas representam sinais de alerta que exigem diagnóstico especializado”, afirma.
O sistema digestivo pode refletir aspectos da saúde geral. Alimentação inadequada, sedentarismo e estresse podem contribuir para alterações pontuais, mas mudanças contínuas no funcionamento intestinal devem ser investigadas.
Dor frequente não deve ser normalizada
Cefaleias recorrentes, dores nas costas e nos joelhos e cólicas incapacitantes estão entre as queixas comuns. A automedicação, entretanto, pode fazer com que algumas pessoas convivam durante anos com esses sintomas sem investigar suas causas.
“É importante não normalizar a dor, principalmente quando ela interfere nas atividades do dia a dia”, afirma Cláudia Simões, anestesiologista do Hospital Sírio-Libanês.
Durante uma consulta, informações como intensidade, frequência e impacto da dor na rotina ajudam o profissional a direcionar a investigação e definir o tratamento adequado.
Sono também é um indicador de saúde
Ronco intenso, despertares frequentes durante a noite e cansaço ao acordar podem indicar que o sono não está cumprindo sua função de descanso. Entre as possíveis causas estão a apneia obstrutiva do sono, o estresse, a ansiedade e outras condições que interferem na qualidade do repouso.
“O sono é um dos principais indicadores da nossa saúde. Quando ele deixa de ser reparador, vale a pena investigar”, afirma Renato Stefanini, otorrinolaringologista e especialista em medicina do sono do Hospital Sírio-Libanês.
A falta contínua de um sono adequado pode afetar memória, concentração, humor, imunidade e equilíbrio hormonal.
O impacto do estresse no organismo
O estresse também pode se manifestar fisicamente. Quando permanece por longos períodos, pode contribuir para alterações cardiovasculares e metabólicas, como hipertensão, obesidade e diabetes. Essas condições podem aumentar o risco de problemas como infarto e AVC e também estão relacionadas a maior risco de declínio cognitivo e demência durante o envelhecimento.
“O estresse biológico é uma resposta natural do organismo a desafios psicológicos e ambientais. Quando essa resposta permanece ativada por muito tempo, aumenta o risco de alterações cardiovasculares e metabólicas. Por isso, controlar os fatores de risco e adotar hábitos saudáveis é essencial para proteger tanto a saúde do coração quanto a do cérebro”, afirma Sérgio Ricardo Hototian, psiquiatra do Hospital Sírio-Libanês.
Para diminuir os impactos do estresse crônico, o especialista recomenda manter uma rotina de atividade física, fazer psicoterapia, adotar técnicas de relaxamento e acompanhar os fatores de risco. A atenção aos sinais do corpo e a busca por avaliação profissional podem contribuir para a identificação precoce de alterações e para a preservação da qualidade de vida.