A menopausa provoca transformações que vão muito além das ondas de calor, alterações no sono e mudanças de humor. A queda nos níveis hormonais também pode repercutir na saúde dos cabelos, deixando os fios mais finos, frágeis e com menor densidade. Para muitas mulheres, a mudança na aparência das madeixas se torna mais perceptível durante o climatério e pode afetar a autoestima.
Estimativas apontam que até metade das mulheres pode apresentar alterações capilares durante a transição para a menopausa, incluindo redução do volume. O tema também ganhou espaço nas redes sociais e na mídia depois que celebridades como Claudia Raia, Fernanda Lima, Eliana e Angélica compartilharam experiências relacionadas às transformações dessa fase.
Embora as mudanças sejam comuns, entender os fatores envolvidos e manter uma rotina adequada de cuidados pode contribuir para preservar a saúde dos fios. Segundo Christian Fagundes, técnico em terapia capilar e Keune Talent, o afinamento está relacionado principalmente às alterações hormonais, mas não depende de um único fator.
Por que os cabelos ficam diferentes com o passar dos anos?
Durante o climatério e a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio pode interferir no ciclo de desenvolvimento dos folículos capilares. Como consequência, a fase de crescimento dos fios pode ser alterada, favorecendo o surgimento de cabelos mais finos e menos resistentes.
O envelhecimento natural do couro cabeludo também participa desse processo. Com o passar dos anos, a renovação celular se torna mais lenta e os folículos podem apresentar uma redução de eficiência. Outros fatores, como predisposição genética, estresse, procedimentos químicos e hábitos de cuidado, podem se somar às alterações hormonais.
“Com o passar dos anos, a renovação celular da raiz se torna mais lenta e os folículos passam a funcionar de forma menos eficiente. Este fator cria um ambiente menos favorável à formação de fios fortes, tornando-os mais suscetíveis ao afinamento, especialmente quando somados à predisposição genética, estresse, procedimentos químicos e falta de cuidado”, explica Christian.
Para o especialista, por isso, os cuidados com o couro cabeludo e com a fibra capilar não devem começar apenas quando os primeiros sinais de afinamento aparecem. A prevenção também pode fazer parte da rotina.
“É aí que o conceito de longevidade capilar surge como prevenção, não só como tratamento após os primeiros sinais de afinamento e perda de densidade. Essa é uma tendência crescente, que foca no cuidado da região cutânea e da fibra de forma contínua. O envelhecimento é um processo natural, mas a qualidade do cabelo ao longo dos anos também é influenciada pelo histórico de cuidados. Por isso, quanto antes adotamos uma rotina adequada, melhores são as condições para preservar a vitalidade e sua qualidade no futuro”, complementa.
Cuidados diários podem ajudar
Quando o objetivo é preservar a espessura e a aparência dos cabelos, a regularidade dos cuidados pode ser mais importante do que medidas pontuais. A higienização adequada, por exemplo, ajuda a manter o couro cabeludo livre do excesso de oleosidade e do acúmulo de resíduos.
Durante a lavagem, a recomendação é massagear a região suavemente, sem movimentos agressivos. Também é indicado evitar água excessivamente quente e observar a quantidade de produtos finalizadores utilizados no dia a dia.
“Hoje sabemos que um couro cabeludo saudável é a base para madeixas mais fortes. Quando essa região apresenta excesso de oleosidade, inflamação, descamação ou produto, todo o ciclo pode ser prejudicado. Cuidar dessa área deve fazer parte da rotina tanto quanto hidratar o comprimento”, afirma o especialista.
A escolha dos produtos também deve considerar as características dos fios. Para cabelos que apresentam perda de densidade, fórmulas com proposta fortalecedora podem ser incorporadas à rotina, além de séruns e leave-ins que auxiliem na aparência de maior corpo.
“Para cabelos que perderam densidade, costumo indicar o investimento em fórmulas fortalecedoras. O uso de séruns e de leave-ins também é essencial, principalmente aqueles que proporcionam uma sensação de maior corpo. Outra dica é reduzir a frequência de procedimentos químicos e ter cuidado com o uso de ferramentas térmicas”, recomenda Christian.
Novas tecnologias nos cuidados capilares
A evolução da cosmetologia também trouxe novas possibilidades para os cuidados com cabelos que passam por mudanças relacionadas ao envelhecimento. Além de produtos voltados à aparência da fibra, pesquisas e formulações passaram a direcionar atenção ao couro cabeludo e à região onde os folículos estão localizados.
Entre os ativos utilizados em produtos destinados a essa finalidade estão os peptídeos biomiméticos. São pequenas cadeias de aminoácidos desenvolvidas para reproduzir determinados sinais biológicos e que aparecem em formulações como tônicos e séruns para aplicação no couro cabeludo.
“Os peptídeos biomiméticos reproduzem sinais semelhantes aos encontrados naturalmente no corpo. Eles atuam como mensageiros, ajudando a criar um ambiente propício para a longevidade dos folículos”, explica Christian.
Apesar das novas tecnologias, o especialista ressalta que nenhum ativo deve ser encarado isoladamente. A manutenção de uma rotina de cuidados e a avaliação individualizada continuam sendo importantes para identificar as necessidades de cada couro cabeludo e fio.
“Fórmulas com peptídeos biomiméticos representam um avanço importante na cosmetologia, mas possuem melhor desempenho quando associados a uma rotina consistente e acompanhamento especializado”, finaliza.