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Estilo de Vida

A difícil decisão de cuidar de um familiar: avaliando obrigações e limites pessoais!

Jornal de Brasília

05/03/2024 0h01

Atualizada 08/03/2024 10h05

Imagem: reprodução

Determinar quem é responsável pelo cuidado a um membro da família na terceira idade é uma questão complexa que envolve tanto sentimentos quanto obrigações legais. Quando se trata da relação entre sobrinhos e tios, a questão legal é relativamente clara: sobrinhos não têm obrigação alimentar com tios, conforme decisão da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça. No entanto, é importante também considerar os laços afetivos e as responsabilidades morais que podem influenciar a decisão de prestar assistência a um familiar idoso.

A ajuda a um parente na terceira idade pode abarcar diferentes formas de suporte, desde o cuidado físico até a assistência financeira. A lei brasileira estabelece que os parentes mais próximos, como pais e filhos, têm o dever legal de prover suporte alimentar, o que se estende a ascendentes e descendentes diretos. Isso cria uma base para a compreensão de que a família possui um papel preponderante na assistência aos seus membros idosos, ainda que no caso de parentesco mais distante, como entre sobrinhos e tias, não exista a obrigação legal.

A decisão de cuidar de uma tia idosa pode ser impactada por diversos fatores, incluindo a disponibilidade de recursos, a presença ou ausência de outros familiares mais próximos e o vínculo emocional entre o sobrinho e a tia. Embora a lei não force essa responsabilidade sobre o sobrinho, é comum que sentimentos de compaixão e solidariedade gerem uma expectativa de que a família ofereça algum grau de ajuda. Este é um reflexo não apenas da legislação, mas da própria dinâmica familiar, onde cuidado e apoio mútuo são valores fortemente enraizados na sociedade.

Entendendo a Obrigação Legal de Cuidar

A legislação brasileira estabelece deveres claros para a assistência familiar, especialmente no que tange aos pais idosos. Este trecho se debruça sobre as diretrizes legais para cuidar de um parente idoso.

O que diz o Código Civil?

O Código Civil brasileiro, em seu artigo 1.696, determina que o dever de prestar assistência aos familiares é recíproco entre pais, filhos e cônjuges. Isso inclui suporte material, abarcando o conceito de alimentos, o que se traduz como o fornecimento das necessidades básicas como alimentação, saúde e moradia.

Estatuto do Idoso e a Proteção aos Mais Velhos

O Estatuto do Idoso reforça a proteção aos indivíduos com idade superior a 60 anos, criando normativas específicas para garantir seus direitos. Segundo a Lei 10.741, a família, a comunidade, a sociedade e o Poder Público são obrigados a assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à saúde, assistência e ao bem-estar.

Consequências da Negação de Cuidados

Em situações de negação ou abandono afetivo, há implicações legais severas. A legislação permite que os idosos solicitem assistência judicialmente quando seus familiares não cumprem com o dever de cuidar. Isso pode inclusive acarretar medidas de responsabilidade civil com a necessidade de indenização por danos morais.

Aspectos Emocionais e Psicológicos

Cuidar de um familiar doente coloca o cuidador diante de intensos desafios emocionais e psicológicos. A complexidade dessa dinâmica envolve uma variedade de sentimentos, incluindo amor e dever, mas também pode levar a conflitos familiares e impactar significativamente a saúde mental do cuidador.

Impacto na Saúde Mental dos Cuidadores

Os cuidadores enfrentam frequentemente uma sobrecarga emocional intensa, culminando em estados de ansiedade e depressão. A pesquisa destaca a tensão e preocupação como aspectos que afetam a saúde mental dos cuidadores, impactando diretamente sua autoestima e equilíbrio emocional. Estes fatores podem comprometer a capacidade de oferecer ajuda efetiva, além de afetar a própria saúde do cuidador.

Laços Afetivos e o Sentimento de Dever

O amor e afeto desempenham papéis fundamentais no cuidado ao familiar. Estes sentimentos podem gerar um sentimento de dever que impulsiona a ajudar e a criar um ambiente seguro e confortável. Contudo, a literatura ressalta que a manutenção dos cuidados cotidianos demanda uma energia considerável, o que muitas vezes resulta em uma relação complexa entre o afeto e as responsabilidades assumidas.

Enfrentando os Desafios e Conflitos Familiares

A dinâmica de cuidar de um familiar pode gerar conflitos familiares, especialmente quando há disparidade na distribuição de responsabilidades entre os irmãos ou outros adultos da família. A necessidade de educação e suporte em relação à doença e ao papel do cuidador é fundamental. A atuação dos cuidadores frequentemente causa mudanças nas relações familiares, podendo tanto reforçar laços quanto revelar fraturas preexistentes. É imprescindível buscar equilíbrio e parcerias dentro da própria estrutura familiar para mitigar a pressão e as possíveis fricções.

Recursos Disponíveis e Alternativas de Cuidado

Ao enfrentar o desafio de cuidar de um familiar, é essencial conhecer as opções de recursos e alternativas disponíveis que possam oferecer apoio necessário e adequado tanto para o cuidador quanto para o familiar assistido.

Cuidadores Profissionais e Serviços de Apoio

Cuidadores profissionais podem oferecer um amplo espectro de serviços ajustáveis às necessidades individuais, variando de apoio domiciliar a cuidados médicos mais complexos. Esses cuidadores formais são capacitados para garantir não apenas a segurança, mas também a promoção da saúde e bem-estar dos indivíduos assistidos. Os serviços de apoio incluem:

  • Assistência nas atividades diárias (higiene pessoal, alimentação)
  • Acompanhamento para consultas e exames
  • Monitoramento da saúde (administração de medicamentos, checagem de sinais vitais)

O Papel dos Centros de Assistência e Casas de Repouso

Centros de assistência e casas de repouso se apresentam como alternativas quando o cuidado em casa não é possível ou ideal. Essas instituições proporcionam um ambiente seguro e socialmente ativo que pode ser benéfico para o envelhecimento saudável e cuidado de pais idosos, oferecendo serviços que incluem:

  • Supervisão profissional contínua
  • Atividades sociais e de lazer
  • Assistência médica e reabilitação

A Importância do Apoio Terapêutico e Grupos de Ajuda

O suporte terapêutico é fundamental para manejar elos psíquicos e emocionais tanto de cuidadores quanto de familiares assistidos. Terapeutas especializados podem ajudar a lidar com desafios como a depressão e o estresse inerente ao cuidado prolongado. Grupos de ajuda permitem a troca de experiências e oferecem suporte emocional, cumprindo papel vital na manutenção da saúde mental dos envolvidos. Esses grupos podem proporcionar:

  • Espaço seguro para expressão e troca de sentimentos
  • Estratégias de enfrentamento para o estresse
  • Informações sobre recursos adicionais e direitos dos cuidadores e familiares

Decisões e Responsabilidades dos Parentes Mais Próximos

Tomar a decisão de quem cuidará dos pais idosos é um momento significativo para a família. Envolve responsabilidade conjunta e possíveis implicações legais em caso de negligência.

Escolhendo Quem Cuidará dos Pais Idosos

A escolha de quem assumirá os cuidados dos pais idosos é uma decisão que deve considerar a disponibilidade, capacidade e a saúde dos familiares envolvidos. Os filhos e parentes mais próximos muitas vezes dividem essa obrigação de acordo com suas possibilidades, buscando sempre priorizar o bem-estar e a qualidade de vida dos idosos.

Responsabilidades Compartilhadas entre Irmãos e Familiares

A responsabilidade no cuidado aos idosos deve ser distribuída de maneira igualitária entre os irmãos e demais parentes. A ajuda pode variar entre assistência direta nos cuidados diários e contribuições financeiras para cobrir custos com saúde e necessidades básicas dos idosos. É essencial que a família dialogue para encontrar um equilíbrio nos deveres e no apoio mútuo.

As Implicações do Não Cuidado e a Lei

Diante do ato de cuidar ou da ausência dele, há implicações legais a serem consideradas. A lei brasileira estabelece que é dever dos parentes mais próximos amparar famíliares em idade avançada. A irresponsabilidade de não prover o necessário sustento e cuidado pode resultar em penalidades, reforçando o compromisso moral e legal que os responsáveis têm em relação aos seus pais idosos.



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