Beatriz Castilho
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Tendo como maior objetivo a improvisação, a Sunflower Jam acontece hoje, às 21h, no O’Rilley. Idealizado em Los Angeles e colocado em prática na capital, o encontro foi criado pelo músico Hermes Reis com o intuito de abrir portas para novos formatos de eventos musicais em Brasília. Entre os convidados da noite especial a voz do hit Hear Me Now, o cantor Zebba, além da cantora Taís Lages, irmã do organizador, Isadora, Babi Ceresa, Marcelo Barbosa, Kajsa Beijer, Yuri Zig, Allan Massay, André Fantom, Nicole Biaggio e Fernando Vaz.
Sunflower Jam é um pouco diferente de uma jam session tradicional. “Enquanto uma banda fica fixa no palco, os artistas são convidados a se revezar nos vocais. Mudamos para auxiliar na aceitação do público”, explica Taís.
Hermes e a irmã começaram na música cedo, aos 16 e 13, respectivamente. Após participar de corais da escola, ela seguiu os passos do irmão e foi para Los Angeles estudar no Musicians Institute, em Hollywood. Enquanto a dupla morava por lá, teve contato com diversos ramos do mercado musical. Taís trabalhou com integrantes do grupo Magic! em produções, além de assinar a música-tema (Sons of the Universe) de um documentário sobre imigrantes ilegais. Hermes, além de tocar com a irmã, colaborou com vários artistas, inclusive com o amigo de infância (e também brasileiro) Zebba.
Ao voltar à cidade natal, os músicos se depararam com um cenário diferente do que estavam acostumados lá fora. “Apesar de ter muitos defeitos, um trabalho autoral feito por lá é muito mais fácil. Em Brasília você vê muito cover porque as pessoas demoram para aceitar trabalho novo”, explica Hermes. A diferença de mercado está no reconhecimento profissional do artista. Apesar disso, Taís vê mudanças: “Nossa realidade traz um pessimismo, mas artistas como a Anitta abrem novas portas”.
Paixão pelo mundo das artes vem do berço
A paixão pela arte não é exclusiva dos irmãos Hermes e Taís. O pai, Antônio Lages, é conhecido mundialmente como Tunico T, por seu trabalho com móveis feitos a partir de madeira. O artista explora cores, formatos e texturas, além de utilizar apenas material morto ou quase morto.
“Descobri que precisava parar de cortar árvores quando tive uma experiência intensa no Vale Jequitinhonha. Hoje, além de receber material, busco em uma serraria de Luziânia”, conta Antônio.
Com 40 anos de carreira, o artista, natural de Queixada (MG), afirma que mais de 40% da sua produção é vendida para estrangeiros. “Nosso mercado é muito insípido, poucos valorizam e investem. É muito difícil viver de arte”, finaliza o pai de Hermes e Taís.
Sunflower Jam
Hoje, às 21h. No O’Rilley (409 Sul). A meia-entrada adiantada custa R$ 20; até as 22h, a meia é R$ 30; e após o horário, R$ 35. Informações: 3244-2424. Não recomendado para menores de 18 anos.