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R. Kelly: uma estrela em queda por seu comportamento sexual

Um júri de Nova York o declarou culpado em setembro de liderar durante décadas uma rede de abusos contra adolescentes e mulheres

Foto|AFP

Na década de 1990, R. Kelly era uma estrela internacional da música R&B, apesar de já ser acusado de abusos sexuais na época. 

Antes do #MeToo, muitas denúncias de atividade sexual criminosa eram caladas por acordos extrajudiciais com as vítimas.

Trinta anos depois do abuso comprovado contra uma menor, o cantor de 55 anos foi condenado nesta quarta-feira (29) a 30 anos de prisão. Um júri de Nova York o declarou culpado em setembro de liderar durante décadas uma rede de abusos contra adolescentes e mulheres.

O ganhador de três prêmios Grammy, cujo nome real é Robert Sylvester Kelly, já vendeu mais de 75 milhões de discos, e é um dos músicos de R&B de maior sucesso comercial da história, com canções como “I Believe I Can Fly” e “Ignition (Remix)”.

Em seu julgamento no Tribunal Federal do Brooklyn, os promotores descreveram “um universo centralizado em Robert Kelly” que fez com que seus colaboradores apoiassem ou fechassem os olhos para seu comportamento predador.

Para seus defensores, Kelly era simplesmente um “playboy” e um “sex symbol” que curtia a vida hedonista à qual estão acostumadas as celebridades internacionais.

No entanto, o júri composto por cinco mulheres e sete homens o declarou culpado de todos as acusações, inclusive de se aproveitar da fama para seduzir vítimas com objetivos sexuais, com a colaboração de seu entorno.

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Acusações de pornografia infantil

Nascido em 8 de janeiro de 1967 em Chicago, Kelly foi o terceiro de quatro irmãos criados por sua mãe.

Em uma autobiografia publicada em 2012, ele conta que se iniciou sexualmente aos oito anos. Às vezes assistia e fotografava casais mais velhos em ato sexual.

Segundo ele, uma mulher mais velha o violou ao oito anos, além de um homem que abusou dele na pré-adolescência.

Durante muito tempo, falava-se que ele era analfabeto, apesar dos 14 álbuns que compôs. Um ex-advogado garante que Kelly escreve notas fonéticas em vez do inglês padrão.

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A gravadora Jive Records o contratou em 1991 depois que um diretor da empresa o ouviu cantar em um churrasco em Chicago.

Em 1993, ele editou seu primeiro álbum solo, “12 Play”, com músicas eróticas como “Bump N’ Grind,” que se manteve em primeiro lugar nas paradas R&B por nove semanas.

Apesar de sua tumultuada vida pessoal, que inclui a anulação de seu casamento com a também cantora Aaliyah, de 15 anos, Kelly alcançou a fama.

Mas no início dos anos 2000, o jornalista de Chicago Jim DeRogatis recebeu duas gravações anônimas que mostravam Kelly fazendo sexo com jovens. A segunda levou a uma acusação de pornografia infantil.

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Após anos de atrasos judiciais, durante os quais seguiu fazendo turnês e gravações, Kelly foi absolvido de todos as acusações em um polêmico julgamento.

“Silenciem R. Kelly”

Durante anos, as acusações apenas tiveram impacto em sua carreira.

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De 2005 a 2012, ele escreveu, produziu, dirigiu e atuou em um “hip hopera” intitulado “Trapped in the Closet”, um conto de sexo e mentiras que desconcertou e impressionou os críticos.

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Em julho de 2017, o BuzzFeed divulgou uma ampla investigação de DeRogatis, que denunciava um esquema de “culto ao sexo” que mantinha seis mulheres reféns em Chicago e Atlanta.

Ao mesmo tempo, duas mulheres em Atlanta, Kenyette Barnes e Oronike Odeleye, fundaram o movimento “Silenciem a R. Kelly”, que promovia o boicote a sua música.

“Alguém tem que defender as mulheres negras”, disse Odeleye na época.

Outros julgamentos

Em janeiro de 2019, uma série da Lifetime apresentou Kelly como um manipulador violento que gostava de jovens às quais supostamente pedia que o chamassem de “daddy” (paizinho).

Ventos contrários passaram a soprar. Sua gravadora rompeu com ele e começaram a surgir as ações judiciais.

Não muito tempo depois, a promotoria de Chicago apresentou 10 acusações de abusos sexuais qualificados contra o músico. As promotorias federais de Illinois e Nova York fizeram o mesmo em 2019.

Supostamente arruinado, Kelly está preso desde que foram apresentadas as acusações federais.

No entanto, deve ser processado em outras três jurisdições, entre elas o Tribunal Federal de Chicago, onde seu julgamento está previsto para começar em 15 de agosto.

Agence France-Presse








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