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‘Pam & Tommy’ revê o machismo em torno da primeira sex tape viral

A atriz canadense Pamela Anderson já era bastante conhecida nos anos 1990, quando, por causa da história que a série “Pam & Tommy” conta, em oito episódios, se tornou uma megacelebridade e teve a vida marcada para sempre.

Por FolhaPress 27/01/2022 2h21
Foto|Reprodução

Por Teté Ribeiro

Antes disso, ela era a menina mais bonita a correr de maiô vermelho na série “S.O.S. Malibu”, exibida entre 1989 e 2001, sobre as aventuras de um time de salva-vidas de uma praia de Los Angeles. Anderson tinha sido descoberta nas páginas da Playboy na primeira vez que posou nua para a capa da revista, em 1989, aos 22 anos. Depois dessa, foi a estrela de outras 13 edições. Gostava de sair à noite com as amigas, beber, dançar, vestir roupas reveladoras e se divertir.


Numa dessas baladas, conhece o baterista Tommy Lee, da banda Mötley Crüe, um bad boy do hard rock que fazia muito sucesso. Além da banda vender muitos álbuns, ele era bonito, cheio de atitude e tatuagens. Tinha sido casado com outra atriz linda de série de TV, Heather Locklear, de “Melrose Place”.


Pam e Tommy se apaixonam loucamente e se casam numa praia no México quatro dias depois do primeiro encontro. Mas os dois não eram exatamente a Kim Kardashian e o Kanye West do tempo deles. Eram celebridades do time B, ela louca para ser reconhecida como atriz, tentando emplacar papéis mais relevantes, e ele percebendo os sinais da chegada da onda grunge, com outra pegada de música, de estilo, de comportamento.


Até que uma fita Super 8 dos dois na intimidade vira o primeiro produto audiovisual a viralizar nas redes sociais. A câmera era de Tommy Lee, que a usava como brinquedo. Filmou a mulher em horas românticas, como quando a surpreende com um bolo de aniversário dentro de uma limusine. Em momentos caseiros, no banheiro da suíte da casa de Malibu, no estado americano da Califórnia, onde moravam. E numa transa em um barco, real, apaixonada, com diversas posições e todas as possibilidades de uso das mãos, da boca, do corpo.


Guardada num cofre junto com joias, armas, documentos e algum dinheiro, a fita foi roubada da casa de Malibu por um empreiteiro, Ram, papel de Seth Rogen na versão da história contada pelo seriado.


Ram estava trabalhando havia vários meses na reforma, contratado por Tommy Lee, que mudava de ideia semanalmente e o acusava de usar matéria-prima de segunda linha. Um dia, depois de um desentendimento a respeito do dinheiro que deve ao empreiteiro, o demite sem pagar nada e não permite nem que ele pegue suas ferramentas de trabalho.

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E a história de Ram, na série, é quase tão importante quanto a de Pamela e Tommy Lee. A trama paralela em que ele se envolve quando descobre o conteúdo da fita o leva a se relacionar com um diretor de filmes pornô, um investidor gângster que empresta o dinheiro para que ele faça cópias do Super 8 em VHS para vender pela internet, e, por fim, com um jovem visionário -e bem canalha- que percebe que pode simplesmente botar as imagens de graça na internet e depois chantagear tanto Pamela e Tommy quanto Ram.


“Pam & Tommy” foi criada e produzida por Robert Siegel, roteirista de “O Lutador”, de 2008, com Mickey Rourke, e tem três episódios dirigidos pelo australiano Craig Gillespie, de “Eu, Tonya”, de 2017, e “Cruella”, de 2021. E é muito boa.


Divertida, ousada -no segundo episódio, por exemplo, Tommy Lee tem um diálogo com seu próprio pênis para convencer o membro de que deve, sim, abrir mão de todas as outras mulheres para ficar com Pamela. Tem ação, sexo, suspense, personagens secundários bem acabados, boas atuações.


A atriz britânica Lily James, a Lady Rose de “Downton Abbey”, está aflitivamente parecida com Pamela Anderson, e o ator Sebastian Stan, que estava em “Eu, Tonya”, se sai muito bem como Tommy Lee.

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Mas incomoda olhar, com os olhos de hoje, para a reação do mundo de meros 20 anos atrás, a imagens de sexo consentido feito por dois adultos recém-casados. Para ela, foi o fim do que poderia ter virado uma carreira de sucesso em Hollywood. Pamela estava promovendo o filme “Barb Wire”, uma ficção científica que se passava em 2017 -o filme foi feito em 1995-, quando o escândalo veio à tona.


Entrevistas que concedeu a revistas femininas foram derrubadas da edição final, os programas noturnos ancorados por comediantes não falavam de outra coisa. Nunca mais ela superou a imagem de vagabunda, de mulher fácil, de pervertida. Nada do que fez na vida, seja como atriz, seja como ativista pelos direitos dos animais, fez a menor sombra nesse episódio. O vídeo está na internet até hoje, para quem se interessar.


E, enquanto Tommy Lee, enfurecido com o roubo da fita, só pensava em processar os culpados, Anderson percebe que naquela trama a única pessoa que não tem a mínima chance de vencer é ela. Pamela Anderson foi julgada e punida pelo machismo da indústria cinematográfica, pela mídia, pelos programas de humor e pela sociedade como um todo, incrivelmente mais retrógrada que a atual.


A ele, ficou a imagem de um galã sortudo e bem dotado que o sustenta até hoje.

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PAM & THOMMY
Quando Estreia em 2 de fevereiro
Onde Disponível no Star+
Elenco Lily James, Sebastian Stan e Nick Offerman
Produção EUA, 2022
Criação Robert Siegel
Avaliação Bom








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