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Os bastidores de um cineasta

Longa “A Luz de Mário Carneiro” conta, com detalhes, trechos da vida e obra do grande diretor

Vítor Mendonça

Publicado

em

Foto: Reprodução
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A história de um dos cineastas mais importantes do cinema brasileiro, Mário Carneiro, terá sua memória preservada neste terceiro dia da 53ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB). O longa-metragem que chega às telas das casas brasileiras hoje é o documentário A Luz de Mário Carneiro, dirigido pela renomada cineasta Betse de Paula, que reúne histórias e entrevistas do também diretor de fotografia, pintor, gravador e arquiteto. Ele faleceu por complicações de um câncer em 2 de setembro de 2007, aos 77 anos.

O documentário finalizado este ano traz à tona histórias e trajetórias do cineasta francês naturalizado brasileiro. A narrativa é construída pelo próprio Mário — ele é
quem conta as histórias de vida e fala de si mesmo. “A maneira como ele fala de si é muito interessante, e tudo isso foi contribuindo e construindo A Luz de Mário Carneiro. Encontramos os filmes dele de 16 milímetros e mostramos a maneira como ele fala de si mesmo, sobre como aprendeu, como fazia as análises que fazia — sempre de uma maneira crítica e bem-humorada”, contou Betse.

Mário Carneiro dirigiu o filme Gordos e Magros, de 1977, assinou o roteiro de Garrincha, A Alegria do Povo , de 1962, e foi diretor de fotografia em diversas produções, entre elas Todas as mulheres do Mundo, O Padre e a Moça, e Todas as Caixas.

“Esse é um filme 100% arquivo”, explica a diretora. Todo o trabalho desenvolvido levou cerca de dois anos para ser finalizado. Durante o processo, foi preciso encontrar filmes do cineasta e entrevistas feitas com ele, recuperar alguns trabalhos, e ainda editar todo o material. De acordo com Betse, o processo mais delongado foi o de recuperação dos longas produzidos por Mário, já que datam de pelo menos 50 anos atrás.

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“Não foi tão difícil encontrar o material, mas foi difícil recuperar por ser um trabalho feito quadro a quadro das filmagens dele. Imagina um filme 16 milímetros feito no início da década de 1960 guardado Deus sabe como e onde”, comentou. “Às vezes estava cheio de bolhinhas e precisávamos recuperar quadro a quadro. Esse processo foi bem longo, mas percebemos que não poderíamos deixar de fazê-lo Encontrar os filmes nem foi tão complicado”, continuou.

A diretora destaca que a única frustração foi a de não ter encontrado alguns outros registros ou recuperar, mas manteve o otimismo. “O que temos é o que temos e é o que vai, é o que queremos. Tem um filme que é ótimo e incrível que não conseguimos achar em alta qualidade e ele está no filme, mas borradinho. Mas ou deixávamos daquele jeito ou tirávamos, e achamos melhor deixar. Só vamos saber se a decisão foi acertada ou não depois de mostrar o filme, né? O que tem precisa ser preservado. É muito melhor preservar do que tentar recuperá-lo. Isso valoriza a
cinemateca, que está sob ameaça nesse momento”, ressaltou.

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Apesar dos dois anos levados para a completude do longa-metragem, Betse considera que tem trabalhado neste filme de Mário Carneiro há muito mais tempo do que o levado para a produção do documentário, uma vez que sempre teve vontade de contar a história do cineasta. “Eu fiz um programa sobre ele há 15 anos [em 2005] para um programa chamado Retratos Brasileiros, do Canal Brasil, e tinha muito material interessante, mas que não houve como aproveitá-los por ser um programa de curta duração”, explicou.

Desta vez, no documentário, a cineasta conseguiu aproveitar a conversa tida com Mário dois anos antes de sua morte. “Foi um processo de muita operação com o que temos — apenas arquivos. O que produzimos de novo foi apenas como recuperar os filmes e longas em 16 milímetros do Mário, para que tivessem uma melhor resolução.”

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“Celebrar o Festival de Brasília”

Apesar de diversas participações dentro do Festival, a renomada cineasta participa pela primeira vez como competidora na categoria de longas-metragem. Para ela, é um momento de gratidão. “Essa é a minha maior alegria: participar do Festival. Já participei de tantas outras coisas que alguém pode participar nele. Já abri o festival, já participei da mostra competitiva de curta metragens, mostra Brasília, do público, de júri de curta, júri de longa, júri de seleção”, disse.

“É um momento de pandemia e de crise no cinema, com instituições ameaçadas. Poder celebrar o Festival é incrível, tenho muita gratidão à curadoria. Se me dissessem antes que o filme passaria no Festival de Brasília, já acharia incrível o desdobramento. Ninguém imaginaria que não ia poder se encontrar no meio de uma pandemia e que o cinema brasileiro passaria por uma crise, e no meio disso tudo ainda teríamos o Festival de Brasília, com três filmes falando de cinema. Acho tão importante fazer parte desse tijolo.”

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Resistência

A própria realização do Festival, segundo a cineasta, é uma forma de resistência. “Estamos vivendo um momento difícil e complicado. O cinema brasileiro já teve que passar por várias e várias complicações em sua história. Temos que fincar o pé e dizer que estamos vivos, e vamos continuar vivos, somos importantes. Isso tem que
continuar existindo e valendo. Temos tantas conquistas que não podemos perdê-las”, destacou.




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