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Nos 70 anos da TV no Brasil, Boni avalia que renovação é essencial

O executivo, que acaba de completar 85 anos, tem sua trajetória profissional calcada em trabalhos realizados em grandes emissoras

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Um nome que por si só carrega a história da televisão no Brasil. Nascido na cidade de Osasco, em São Paulo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, ou simplesmente Boni, é testemunha ocular do nascimento desse meio de comunicação aqui e se tornou um dos pilares na estruturação da TV como conhecemos hoje, responsável por implantar o padrão Globo de qualidade.

O executivo, que acaba de completar 85 anos, tem sua trajetória profissional calcada em trabalhos realizados em grandes emissoras. Falar de Boni é falar de televisão, não tem como dissociar um do outro.

Como tantos outros profissionais de sua época, Boni também começou no rádio, influenciado pelo pai, o dentista Orlando de Oliveira, que tocava violão no regional de Armandinho, e pelo tio Hermínio, que fazia parte do grupo Quatro Ases e um Coringa. E o jovem Bonifácio, lá pelos seus 15 anos, foi para o Rio de Janeiro, onde deu início a sua carreira radiofônica como estagiário de Dias Gomes. Isso foi na Rádio Clube do Brasil. Em 1950, já na Rádio Nacional, foi redator do programa Clube Juvenil Toddy. Mas foi nesse momento que conheceu humorista o Manuel de Nóbrega, de quem viria a se tornar secretário pessoal.

Depois do rádio, chegou à televisão, iniciando pela Tupi, passando pela Excelsior, entre outras. Até que, em 1968, chega à Globo, onde assumiu o cargo de diretor-geral de Produções e de vice-presidente de operações. De lá, saiu em 1998, mas ainda mantendo uma ligação, ao se tornar consultor da emissora – saiu de vez em 2001, para se dedicar a projetos pessoais.

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Divertido e bom de papo, Boni conversou por telefone com a reportagem do Estadão, poucos dias antes do seu aniversário, em 30 de novembro. Data, aliás, que ele revela não ter entusiasmo em comemorar. “Não gosto de aniversário, não gosto de festa de aniversário”, conta, se divertindo ao constatar que este ano, para ele, seria perfeito por conta do distanciamento social. “Vou passar meu aniversário aqui com minha mulher e meus dois filhos.”

Ao entrar no assunto pandemia, Boni reflete sobre como as emissoras deveriam usar esse tempo para repensar caminhos e projetar o futuro. Apesar de estar distante dos bastidores das grandes emissoras, ele usa como exemplo a TV Vanguarda, da qual é um dos sócios. “Nós aproveitamos esse tempo para reciclar”, conta.

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“O departamento de jornalismo, por exemplo, passou por modificações extraordinárias: deixamos de ter unidade móvel e passamos a fazer o vídeo repórter. E, em vez de entrar ao vivo, para fazer uma cobertura da prefeitura, passamos a deixar um equipamento em um ponto com redes de celulares, que funciona muito mais e, assim, passamos a receber muito mais informação. Eles vão lá e ligam e não precisamos mandar mais ninguém”.

Segundo ele, houve uma simplificação do processo, algo que era necessário “porque, há muitos anos, estamos adotando procedimentos que foram criados pela televisão americana e que usamos da mesma maneira, mas eles também estão renovando nesse sentido: simplificaram o trabalho do repórter e o colocaram não só na condição de repórter, mas também na de editor”.

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Segundo ele, dessa forma, as matérias são editadas no próprio local em que são apuradas, com o próprio celular, “se você quiser, entendeu?”. Com relação ao que observa no andamento da situação em geral, afirma que não tem visto trabalhos nesse sentido. “Não estou vendo nenhuma renovação, e acho que isso é essencial, é fundamental – devia ter ocorrido antes da pandemia.”

Com tal experiência, o executivo não foge a se posicionar quanto à forma como sua antiga emissora vem trabalhando para se manter nesse momento. Como é o caso de ter optado por exibir reprises de novelas em todos os seus horários reservados a esse gênero. “Eu considero que não havia outra alternativa, fomos pego de surpresa, todo mundo teve que se adaptar”, avalia. Para ele, a Globo se defendeu de uma boa maneira, “e escolheu bem os seus produtos”. No entanto, avalia ser premente a chegada da vacina, que poderá garantir o retorno aos trabalhos. E ainda afirma que é complicado prever “até quando o público vai aguentar reprise e até quando você tem um estoque de reprises que seja realmente interessante. Uma pergunta difícil de responder”.

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Um ponto mais delicado, que tem agitado o público e o meio artístico, é o fato de a Globo ter dispensado recentemente nomes consagrados da teledramaturgia. Por conhecer muito bem os bastidores e estar atualizado (começa seu dia lendo e vendo todos os jornais), Boni acredita que, nesse caso, alguns detalhes precisam ser separados como, por exemplo, a contratação por uma obra determinada, algo feito no mundo inteiro e não apenas em televisão. “Mas há certas pessoas que, no final dos anos 1960, vieram para a Globo atraídas por uma ideia” e ganhando menos que em outras emissoras, observa o executivo.

E o que atraiu esses profissionais foi propor um projeto ambicioso, “de montar uma indústria brasileira de produção artística” – ele percebia ser essa, na época, uma coisa mais ou menos estranha, porque “como um trabalho artístico teria um canal?”. Foi um momento de transformação, de superação, ao fazer um sonho se realizar. Para isso, nasceu a ideia de aumentar a produção nacional, que seria uma reação ao que vinha de fora, criando um campo de trabalho para o artista brasileiro. “Vamos banir daqui produtos tipo Bonanza e Jeannie é um Gênio”, conta, se referindo a séries de sucesso na época.

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Foi com esse projeto em mãos que Boni cooptou os grandes nomes que fizeram emergir a dramaturgia no País, que aceitaram participar da empreitada, “independente de quanto ganhavam onde estavam, vieram por um ideal”, afirma. “Então, quando você observa essas pessoas, tem que olhar como se fossem sócias da emissora e serem consideradas, mesmo que não trabalhassem mais: poderiam entrar em um conselho consultivo ou ministrar aulas para novos atores.”

Além do passado, Boni avalia o momento atual e futuro. Com é o caso do streaming que, para ele, já existia, mas somente agora virou tendência. No entanto, acredita que o hábito de ver TV aberta não morreu. “Acredito que ela vai ter o dobro da vida que já teve – aposto nisso.”

Estadão Conteúdo




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