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‘King Richard’ destaca Will Smith, que pode ir ao Oscar com o filme

Apesar dos defeitos, seus predicados já o colocam entre os títulos especulados para conseguir algumas indicações da Academia para o Oscar de 2022.

Por FolhaPress 01/12/2021 6h41
Foto|Reprodução

Por Sandro Macedo

“Você é a pessoa mais teimosa que já conheci na minha vida. E eu treino McEnroe”. A frase é proferida pelo treinador Paul Cohen, que, sim, treinou John McEnroe e Pete Sampras, entre outros. E, sim, McEnroe era conhecido pelo imenso talento e pelo ainda maior destempero. O tal teimoso é Richard Williams, protagonista da cinebiografia “King Richard – Criando Campeãs”.


As campeãs do título são Venus e Serena Williams, filhas de Richard, e duas das maiores tenistas da era aberta do tênis. Venus liderou o ranking pela primeira vez em 2002, venceu sete Grand Slams e faturou, só em premiação por torneios, mais de US$ 40 milhões. Serena venceu 23 Grand Slams e, aos 40 anos, ainda mira o 24º para igualar a recordista Margaret Court. Faturou, só nas quadras, mais de US$ 90 milhões.


Isso significa que “Criando Campeãs” tem um esperado e óbvio final feliz. Mas o que vale aqui não é a jornada.
O grande acerto do drama dirigido por Reinaldo Marcus Green é focar a biografia não nas meninas, mas no pai, personagem obcecado e polêmico defendido por Will Smith -num figurino quase monotemático, com shorts, agasalho e meias esportivas até o joelho.


Richard viu uma vez em casa uma tenista recebendo um cheque de US$ 40 mil pelo título em um torneio menor. Valor que ele precisava trabalhar quase um ano para arrecadar. Enxergou uma oportunidade e desenvolveu um plano, antes mesmo de ter as filhas que iriam executá-lo.


Desde cedo treinou as meninas para serem as tenistas mais dominantes do esporte. Richard era um autodidata. Comprava revistas sobre tênis, que falava das técnicas dos grandes nomes do esporte, e assimilava cada detalhe
Venus e Serena jogavam desde a infância numa quadra pública da comunidade de Compton, na Califórnia, onde o pai apanhava de gangues locais para defender as filhas. Dormiam num quarto com outras três irmãs e ainda tinham que ser disciplinadas nos estudos. Tudo estava no plano de Richard, transformado num pequeno manifesto de 85 páginas.


Quando ele consegue finalmente mostrar o talento das meninas para o treinador Paul Cohen, elas ainda tinham 11 (Venus) e 10 (Serena) anos.

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O roteiro se aplica ao mostrar a dura rotina, o sacrifício, a luta social e racial, mas sem fugir do convencional. Também cai em alguns clichês dramáticos e distribui frases edificantes. Além de Will Smith, o ótimo elenco de apoio inclui as jovens Saniyya Sidney e Demi Singleton, como as irmãs, Aunjanue Ellis (a mãe) e Jon Bernthal, um dos treinadores.


É bom lembrar que os nomes de Venus e Serena Williams estão entre os produtores. O que significa que é uma cinebiografia chapa-branca. Somos apresentados ao lado mais lúdico e quase visionário de Richard, deixando algumas polêmicas ou contradições “en passant”.


Treinamento de crianças por horas seguidas, às vezes durante a noite ou debaixo de chuva ficam na linha tênue entre dedicação e abuso infantil. Há inclusive uma cena na qual o serviço social aparece na casa dos William, chamado por uma vizinha, para conferir a integridade das jovens.


Ao mesmo tempo em que cobrava dedicação das irmãs, queria que elas não abrissem mão da infância. E chegou a retardar a entrada das duas no circuito juvenil. Aparentemente, já enxergava na época os problemas de saúde mental decorrentes da sobrecarga em qualquer esporte.

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Apesar dos defeitos, seus predicados já o colocam entre os títulos especulados para conseguir algumas indicações da Academia para o Oscar de 2022.

KING RICHARD – CRIANDO CAMPEÃS
Avaliação Bom
Quando Estreia nesta quinta (2)
Onde Nos cinemas
Classificação 12 anos
Elenco Will Smith, Aunjanue Ellis, Saniyya Sidney e Demi Singleton
Produção EUA, 2021
Direção Reinaldo Marcus Green
Duração 144 min.








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