Eu estava aqui no Cosme Velho ligando para a Bianca para combinar de ir juntas à academia do Leblon quando o telefone virou uma central em estado de choque: Zé Neto, da dupla com Cristiano, sentou no palco do Huck e abriu o jogo de um jeito que poucos artistas têm coragem de fazer. Eu, que acho o rapaz um gato de primeira categoria e já acompanho a trajetória dessa dupla desde antes de todo mundo, fiquei parada com o blush na mão sem conseguir desligar a televisão.
O cantor detalhou um quadro severo de depressão e síndrome do pânico que o fez pausar a carreira completamente. Numa das crises, tentou abrir a janela de um quarto de hotel que não cedia, e quebrou o vidro no desespero de respirar. Durante três anos conviveu com a dependência de remédios para dormir e de outros para acordar, com álcool, cigarro, e com uma dor que, nas palavras dele, não sangra e não tem cicatriz. O Cristiano esteve ao lado durante toda a travessia, e Zé Neto reconheceu que quem está perto de quem sofre carrega o peso junto.

O que circulava nos bastidores do sertanejo há tempos era que a pausa da dupla não era apenas questão de agenda lotada. Pessoas próximas ao entorno já comentavam em rodas fechadas que a situação era delicada, que o modelo de trezentos dias de estrada por ano tinha cobrado uma conta alta demais. Zé Neto resumiu com uma frase que vale guardar: estava trabalhando muito e vivendo pouco.
A recepção nas redes foi imediata e massiva. Fãs, colegas do meio sertanejo e artistas de outros universos inundaram os comentários com apoio genuíno. Luciano Huck conduziu a entrevista com cuidado real, elogiando a coragem de falar publicamente sobre o processo, e ressaltando que esse tipo de relato pode abrir caminho para muita gente que atravessa a mesma dor sem ter palavras para nomeá-la.

Zé Neto disse que está recuperado, que a combinação de acompanhamento especializado, fé, família e exercício físico o trouxe de volta. A coluna, que já viu muita estrela se perder antes de chegar a esse ponto, respeita profundamente quem sobe no palco do Huck não para divulgar projeto, mas para devolver humanidade a uma conversa que o Brasil precisa ter com mais honestidade.