Meu amor, eu mal terminei meu café e já precisei sentar direito na cadeira para processar esse babado gastronômico com aroma de reposicionamento de marca. O antigo Smorgasburg Brasil agora atende por YUMMERS, abriu inscrições até 27 de março e já marcou a quinta edição para os dias 1 e 2 de agosto de 2026, naquele pedaço clássico em frente ao Ibirapuera, entre Obelisco e Monumento às Bandeiras, que São Paulo adora transformar em passarela de cool hunter faminto.
Eu tenho um fraco absoluto por evento que troca de nome com discurso de renascimento, porque quase sempre vem aí uma novela corporativa com molho agridoce. Segundo a organização, a mudança aconteceu por desalinhamentos com as novas condições financeiras impostas pelos detentores da marca Smorgasburg nos Estados Unidos. Traduzindo para o português das criaturas que já apanharam de contrato, o coletivo olhou para a conta, olhou para a parceria, respirou fundo e decidiu que seguir naquele casamento estava custando caro demais para pouca sintonia. E eu confesso que respeito uma separação elegante quando ela vem acompanhada de cronograma, comunicado e promessa de futuro melhor.
A edição de 2026 quer manter aquilo que fez o festival crescer nas quatro primeiras temporadas, ou seja, gastronomia criativa, encontro de chefs, música, artistas de rua, feira de economia criativa e aquela atmosfera de São Paulo fingindo que ainda sabe viver o espaço público sem transformar tudo em estacionamento emocional. A organização afirma que mais de 100 mil pessoas por festival circularam pelas edições anteriores, o que ajuda a entender por que essa troca de pele veio com tanta pompa, foto bonita e texto de manifesto.
As inscrições para chefs e operações interessadas devem ser feitas pelo Instagram oficial do evento, e a seleção será dividida em duas etapas. Primeiro, os candidatos manifestam interesse e apresentam a inovação gastronômica que levariam ao festival. Depois, entram documentação e questões técnicas da operação. Os 100 chefs selecionados devem ser divulgados até o fim de abril. Sim, meu povo, além de cozinhar bem agora também tem que saber sobreviver ao vestibular gourmet, que é uma especialidade contemporânea quase tão exigente quanto parecer espontâneo no Instagram.
O mais interessante desse enredo é que o YUMMERS tenta vender a ruptura como capítulo autoral brasileiro, com o Coletivo Pipoca reforçando que o festival querido pelo público foi construído aqui, na base de trabalho, escuta dos chefs e conexão com os fãs. Eu, que adoro uma vaidade criativa com fundamento, acho esperto quando a marca resolve parar de ser filial emocional de um nome estrangeiro e assume a própria assinatura. Pode dar muito certo. Pode dar confusão. Pode dar os dois, que é sempre a hipótese mais saborosa.
E tem mais contexto nessa panela. O Coletivo Pipoca, criado oficialmente em 2011, se apresenta como plataforma de impacto cultural e diz atuar também no Carnaval de Rua de São Paulo, além de projetos com marcas grandes. Ou seja, não estamos falando de gente que acordou ontem, criou um logo no Canva e decidiu vender coxinha com discurso de curadoria. Existe histórico, lastro e musculatura de realização, o que ajuda o YUMMERS a estrear com pose de veterano, aquela figura que muda de nome no elenco mas continua entrando pela porta da frente.
Confesso que ri sozinha, de nervoso e de admiração, porque eu adoro quando o mercado inventa nome novo com letras em caixa alta e promessa de identidade renovada, mas aqui existe um detalhe que importa de verdade: se o público comprar a ideia e os chefs vierem junto, a troca deixa de ser cosmética e vira reposicionamento de fato. Se não comprar, vira aquela reforma de apartamento que custou uma fortuna para trocar o vaso de lugar.
Então anota, meu bem: YUMMERS já tem data, lugar, inscrições abertas e um divórcio empresarial contado com verniz diplomático. Eu, que sou fofoqueira mas não sou boba, vou observar esse renascimento com a curiosidade de quem ama comida, branding e confusão bem embalada. Porque festival bom alimenta o estômago, o ego da cidade e, com sorte, a minha coluna também.