Estava sentada na cadeira da Giuliana, minha manicure aqui em Bari, quando meu contato de plantão no setor de tecnologia mandou a notícia em cima da hora. Joguei o algodão fora e pedi pra ela segurar um minuto, porque essa história merecia atenção antes de eu pegar a estrada para Roma. A mala está quase fechada, mas coluna assim não espera aeroporto.
O influenciador norte-americano conhecido como Clavicular, um dos nomes mais proeminentes da “machosfera”, foi definitivamente banido do YouTube nesta semana. A plataforma removeu os canais adicionais vinculados a ele, aplicando a regra que proíbe criadores com contas encerradas de abrir ou operar novos perfis. O banimento do canal principal havia ocorrido em novembro do ano passado, mas o caso ganhou nova dimensão porque, há cerca de uma semana, ele foi hospitalizado com suspeita de overdose após passar mal durante uma transmissão ao vivo.

Em um post no X, ele afirmou que seus perfis foram retirados do ar sem aviso prévio ou explicação, classificou a decisão como “muito triste” e argumentou que o conteúdo deletado servia para ajudar jovens a se tornarem as melhores versões de si mesmos. O YouTube, por sua vez, informou apenas que canais adicionais ligados a criadores já banidos são removidos conforme as regras do serviço. Entre o banimento de novembro e a limpeza desta semana, os canais secundários operaram meses sem interrupção.
Aos 20 anos, Clavicular havia construído uma das bases de fãs mais ativas do “looksmaxxing”, prática que incentivava homens a “otimizar” a própria aparência usando testosterona, esteroides anabolizantes e metanfetamina. Nos fóruns ligados ao movimento, a reação se dividiu entre quem tratou o banimento como censura política e quem preferiu sumir da conversa, o que nesse ambiente costuma dizer mais do que qualquer publicação. No X, a tese da vitimização ganhou tração rápida, com direito a prints de suposto viés da plataforma contra criadores conservadores.
Aqui da Puglia, guardando o esmalte na mala e já de olho no voo para Roma, fico com uma certeza que não precisa de curso online para ser entendida: plataforma que demora para agir não é conivente com o criador, é conivente com o conteúdo. Entre novembro e abril, quantos vídeos sobre “otimizar” a saúde com metanfetamina ainda circularam pelos canais secundários? Essa conta o YouTube não publicou no comunicado.