Sete e meia da noite em Lisboa, eu voltando para o hotel, correndo contra o relógio, quando meu celular toca com uma chamada de vídeo. Do outro lado, a ordem foi praticamente esta: “Kátia, olha o que aconteceu com o Yan no Samba Recife”. Eu parei para assistir. E ainda bem.
No domingo (27), Yan fez sua estreia no palco principal do Samba Recife, na área externa do Centro de Convenções de Pernambuco. O nome dele estava numa programação pesada, com Alexandre Pires, Ferrugem, Raça Negra, Sorriso Maroto, Turma do Pagode e Zeca Pagodinho.

Só que o momento que marcou a apresentação não estava no roteiro. Sob chuva, o som parou. Yan não ficou esperando a técnica resolver o problema: chamou os músicos, levou a banda para a passarela e continuou cantando perto do público. Sem amplificação, a plateia assumiu o refrão e sustentou o show no gogó por minutos.
E aqui está a parte que me pegou. Yan não caiu de paraquedas naquele palco. A participação deste ano marcou justamente sua chegada à programação principal depois de passagens anteriores por espaços menores do festival. O repertório atual mistura músicas como “Fica com Deus” e “Textão” às faixas do audiovisual Chegou Nosso Momento.

A passagem por Pernambuco também não começou ali. Na sexta-feira (25), ele havia se apresentado no Weekend do Samba, em Fernando de Noronha, antes de seguir para o Samba Recife no domingo.
Agora eu sigo para o hotel em Lisboa com uma constatação bem simples: equipamento falha, chuva cai e microfone pode ficar mudo. Quando milhares de pessoas sabem cantar a sua música por você, meu amor, tem uma coisa funcionando perfeitamente: a carreira.