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Kátia Flávia
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Xuxa: bastidor revela por que ela segue no topo da América Latina

Enquanto muita gente vive de nostalgia, Xuxa administra a própria marca como uma CEO obcecada por excelência. O resultado não foi apenas um show. Foi uma aula de gestão de um patrimônio cultural que atravessa quatro décadas.

Kátia Flávia

26/07/2026 8h51

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A produção percorre mais de quatro décadas da história da artista por meio de um show que reúne música, tecnologia, cenários inéditos e personagens que marcaram a infância de milhões de brasileiros. (Créditos: @morivafilmes)

Existe uma diferença brutal entre um artista famoso e uma marca histórica. Eu vi isso acontecer diante de 50 mil pessoas.

No capitalismo do entretenimento, memória afetiva não paga conta. O que movimenta patrocinador, produtora, equipe técnica e ingressos é competência. E é exatamente aí que Xuxa Meneghel continua dando uma aula para uma geração inteira de artistas que ainda acredita que fama resolve tudo.

Enquanto muita gente trata uma turnê como uma sequência de shows, Xuxa tratou O Último Voo da Nave como uma operação de altíssima complexidade. Eu adoro quando o mercado chama isso de entretenimento. Porque entretenimento, meus amores, movimenta centenas de profissionais, milhões em investimento, grandes patrocinadores, tecnologia de ponta e uma logística que faria muito CEO da Faria Lima pedir um Lexotan.

Xuxa nunca foi apenas a Rainha dos Baixinhos. Ela virou, faz tempo, a Imperatriz da Economia da Memória.

Pouca gente percebe o que existe por trás daquele sorriso. Existe uma executiva extremamente disciplinada. Uma mulher que participa das decisões criativas, acompanha roteiro, aprova conceito visual, pensa narrativa, discute repertório e protege a própria marca com uma obsessão quase cirúrgica. Isso não acontece por acaso. A carreira dela nunca foi construída na base da improvisação.

Foi exatamente essa disciplina que transformou uma apresentadora infantil brasileira em um fenômeno latino-americano.

Enquanto o Brasil assistia ao Xou da Xuxa, países como Argentina, Chile, Uruguai e boa parte da América Hispânica também consumiam a artista. Seus programas foram adaptados para diferentes mercados, seus discos venderam milhões de cópias em português e espanhol e sua imagem virou uma das exportações culturais mais relevantes da televisão brasileira.

A indústria internacional enxergou aquilo antes de muita gente por aqui.

Não existe outra apresentadora latino-americana que tenha conseguido construir uma operação de licenciamento com brinquedos, discos, filmes, produtos, revistas, parques temáticos, programas de televisão, turnês e merchandising durante tantas décadas mantendo um nível tão alto de reconhecimento popular.

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O espectáculo retorna para a capital paulista no dia 31 de julho no NuBank Parque. (Foto: Instagram @30ebr)

É por isso que eu rio quando alguém tenta reduzir Xuxa a uma personagem dos anos 90.

Ela nunca foi uma lembrança.

Ela virou patrimônio econômico.

E patrimônio precisa ser administrado.

Foi exatamente isso que apareceu no palco.

Cada ato conversava com uma fase da carreira. Cada troca de figurino respeitava uma identidade visual consolidada. A nave não era apenas cenografia. Era propriedade intelectual. As Paquitas não eram apenas bailarinas. Eram uma marca registrada da cultura pop brasileira. Cada música funcionava como um ativo emocional cuidadosamente reposicionado para uma nova geração.

É branding no estado mais puro.

A produção assinada pela 30e, uma das maiores empresas de entretenimento ao vivo do país, mostra justamente isso. Quando uma companhia desse porte decide investir numa turnê, ela não compra apenas um nome famoso. Compra credibilidade. Compra previsibilidade. Compra capacidade de entrega.

No mercado financeiro existe uma expressão que eu adoro: ativos de primeira linha.

Xuxa virou exatamente isso.

Um ativo premium.

Um investimento que atravessa governos, modismos, mudanças tecnológicas, plataformas, crises econômicas e guerras de audiência.

Enquanto muitos artistas passam anos tentando viralizar um vídeo de quinze segundos, ela colocou cinquenta mil pessoas dentro de um estádio para cantar músicas lançadas há décadas.

Isso não é nostalgia.

É confiança de mercado.

No fim das contas, o maior efeito especial daquela nave nem foi voar sobre o público.

Foi provar que uma marca construída com disciplina, trabalho quase obsessivo, inteligência empresarial e respeito absoluto pelo próprio legado continua sendo um dos ativos mais valiosos da cultura latino-americana.

E poucas pessoas administram esse patrimônio com tanta competência quanto Xuxa Meneghel. Afinal, estrelas aparecem todos os anos. Marcas capazes de atravessar gerações, décadas e mercados inteiros continuam sendo um artigo raríssimo.

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