O projeto é o seguinte: três episódios do “Globo Repórter”, exibidos nos dias 17, 24 e 31 de julho, gravados nos três países que vão sediar juntos a Copa do Mundo de 2030, Marrocos, Espanha e Portugal. É a primeira reportagem internacional de Bonner no comando do programa, ao lado de Sandra Annenberg, desde que ele deixou a bancada do “Jornal Nacional” no ano passado depois de quase três décadas no posto. O roteiro começa no Estreito de Gibraltar, onde África e Europa quase se tocam, segue para Fez, uma das cidades mais antigas do mundo islâmico, passa pela badalada Chefchaouen, a Cidade Azul, e fecha a etapa marroquina em Casablanca.
E o roteiro não foi escolhido à toa, porque segue exatamente o mapa da disputa que vai definir onde sai a decisão do Mundial. Marrocos vai receber seis estádios em seis cidades, e briga nos bastidores pra levar a final pra Casablanca, num estádio novo projetado pra 113 mil torcedores. A Espanha concentra o maior número de sedes, com onze estádios espalhados por Madri, Barcelona, Sevilha, Málaga, Bilbao, San Sebastián, La Coruña, Zaragoza e Las Palmas, e aposta no Santiago Bernabéu como palco favorito da grande final. Portugal entra com o Estádio da Luz e o José Alvalade, em Lisboa, e o Dragão, no Porto, mas já foi avisado que não vai ficar com a decisão por não ter estádio dentro da exigência mínima de capacidade da FIFA.

Bonner me explicou que a proposta do programa não é falar de futebol, e sim mostrar o que conecta esses três países muito antes da bola rolar, arquitetura, gastronomia, língua, tradições que atravessaram o Mediterrâneo nas duas direções. Segundo ele, essa é a primeira vez que pisa no Marrocos, e o que mais chamou atenção durante as gravações foi a convivência entre tradições preservadas há gerações e a vida contemporânea das cidades que agora se preparam pra receber o mundo inteiro. Os episódios seguintes repetem essa lente em solo espanhol e depois português, acompanhando como as cidades-sede se organizam para 2030 enquanto tentam preservar identidade local em meio à pressão do calendário da Copa.
Fica o registro de quem passou a vida cobrindo o Brasil pra dentro das quatro linhas do estúdio e agora estreia contando a história de três países ao mesmo tempo, na mesma semana em que a decisão sobre a sede da final ainda nem foi fechada entre os próprios anfitriões. Bonner sai na frente do apito inicial. Resta saber se Casablanca, Madri ou Lisboa vão sair na frente dele.