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Kátia Flávia
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Wesley Safadão vira alvo do MP por gesto de “foguete” em show; entenda

Ministério Público Eleitoral da Paraíba afirma que cantor fez símbolo associado à pré-campanha de Efraim Filho durante show no Parque do Povo

Kátia Flávia

10/06/2026 16h42

Wesley Safadão foi denunciado por suposta propaganda eleitoral antecipada

Wesley Safadão foi denunciado por suposta propaganda eleitoral antecipada

Wesley Safadão foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral da Paraíba por suposta propaganda eleitoral antecipada durante show no São João de Campina Grande. Segundo o órgão, o cantor fez no palco um gesto de “foguete”, símbolo que seria associado à pré-campanha do senador Efraim Filho ao governo da Paraíba.

Eu saí do salão com o cabelo finalmente obediente, aquele brilho de quem gastou dinheiro para parecer naturalmente arrumada, e entrei no carro já tentando não encostar a cabeça no banco. Quem faz escova entende: a mulher sai do cabeleireiro andando como se estivesse transportando obra de arte. Foi nesse cuidado absurdo, quase imóvel, que apareceu Wesley Safadão denunciado por causa de um foguete no São João. Parei. Porque, no Brasil, minha filha, até gesto de palco pode sair do forró direto para a Justiça Eleitoral.

O show aconteceu na sexta-feira (05), no Parque do Povo, em Campina Grande, um dos principais palcos juninos do país. A ação, porém, foi ajuizada pelo MPE na terça-feira (09).

De acordo com a denúncia, Safadão teria feito o gesto do “foguete” diante do público e dito: “o foguete, está aqui o foguete”. Para o Ministério Público Eleitoral, a simbologia remete ao senador Efraim Filho, do União Brasil, pré-candidato ao governo da Paraíba.

A representação também aponta que Efraim estava presente no show, respondeu ao gesto usando a mesma simbologia e depois divulgou registros do episódio nas redes sociais.

O MPE sustenta que o “foguete” já é utilizado por Efraim em campanhas anteriores e segue presente em sua comunicação pública. Por isso, o órgão entende que o gesto poderia caracterizar promoção eleitoral antecipada.

A denúncia também cita o prefeito Bruno Cunha Lima, do União Brasil, sob o argumento de que o episódio aconteceu em evento de grande alcance popular, realizado com apoio e investimento público. Segundo o Ministério Público, o gestor deveria zelar pelo cumprimento das normas eleitorais durante o São João.

Na ação, o MPE pede multa de R$ 25 mil para Wesley Safadão, Efraim Filho e Bruno Cunha Lima por propaganda eleitoral antecipada. Em relação ao senador e ao prefeito, o órgão também solicita a aplicação de sanções previstas para casos de conduta vedada a agente público.

O Ministério Público ainda pediu a remoção imediata dos conteúdos publicados nas redes sociais sobre o episódio, a preservação de dados pelas plataformas digitais e a proibição do uso de estruturas custeadas pelo poder público para promoção de pré-candidaturas.

Até a última atualização da reportagem do g1, a Prefeitura de Campina Grande informou que só iria se manifestar após ser notificada oficialmente. A assessoria de Wesley Safadão não havia respondido, e Efraim Filho também não tinha se manifestado.

Eu segui no carro tentando proteger a escova e pensando que política brasileira chegou num nível de leitura corporal que assusta. Antes a gente fiscalizava discurso, santinho, outdoor e jingle. Agora fiscaliza foguete, mãozinha, piscada e dancinha no palco. Safadão foi cantar no São João e saiu no radar eleitoral. Se bobear, daqui a pouco até “vai, Safadão” vai precisar de prestação de contas.

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