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Kátia Flávia
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Wanessa Angell anuncia livro após Miss América, e o bastidor veio junto

Depois da desclassificação que virou escândalo e discurso sobre “fitfobia”, Wanessa Angell quer transformar dor, cobrança e fé em livro. A ex-miss promete abrir a vitrine dos concursos e mostrar o preço emocional que muita gente paga para sair bonita na foto

Kátia Flávia

15/04/2026 14h30

Wanessa Angell anuncia livro após Miss América, e o bastidor veio junto

Wanessa Angell anuncia livro após Miss América, e o bastidor veio junto

Eu estava no sul da Itália, entre um aeroporto charmoso, um café caro demais e aquele tipo de céu que faz a pessoa até acreditar em recomeço, quando me chega o babado de Wanessa Angell. E ele veio completo, graças a Deus. Depois da confusão envolvendo a desclassificação dela no Miss América 2025, a modelo, nutricionista e influenciadora agora prepara um livro para contar a própria trajetória, misturando pressão estética, bastidor de concurso, vigorexia, quase morte, conversão religiosa e os tombos sentimentais que a vida distribui sem nem pedir documento.

O ponto central aqui é forte e merece ser tratado direito. Wanessa foi apresentada como representante brasileira numa disputa internacional, ganhou visibilidade em cima disso e depois disse ter sido retirada da competição sob a alegação de que tinha um corpo musculoso demais. Na época, chamou o caso de “fitfobia”, bateu de frente com o padrão esperado nesses concursos e decidiu largar de vez esse universo. Agora ela quer usar esse episódio como eixo de um livro que não pretende ser uma autobiografia clássica, dessas que a pessoa nasce, cresce e posa. A proposta, segundo ela, é discutir o que o corpo feminino sofre nas mãos da cobrança estética, o impacto psicológico desse mercado e também reunir histórias de outras mulheres que passaram por rupturas públicas e reconstruções de imagem.

No bastidor digital, esse tipo de história costuma render aquele festival que eu adoro observar com a taça na mão e a sobrancelha levantada. Tem declaração que reaparece com outra força, postagem antiga que ganha leitura nova, público dividido entre apoio, deboche e militância de feed, além daquela turma que finge maturidade mas corre para comentar primeiro. Wanessa já carregava uma imagem pública ligada à transformação física, à nutrição, à biomedicina estratégica e ao título de Miss Fitness Mundo. Então, no mundo da internet, tudo conversa. O passado de “Mulher Kiwi”, a fase sensual, a atuação profissional, a virada religiosa, o acidente de bicicleta, os relatos sobre vigorexia, maternidade e relações abusivas, tudo isso vira peça de um quebra-cabeça que o algoritmo ama e a psique da criatura sente no fígado.

A leitura maldosa, porém inteligente, é a seguinte. Concurso de beleza adora vender conto de superação com filtro bom, mas treme inteiro quando a candidata sai do molde e resolve devolver a narrativa com nome, sobrenome e memória. Wanessa entendeu uma coisa que muita gente só percebe tarde, a exposição pode humilhar, mas também pode ser reciclada em discurso, produto e reposicionamento. E, convenhamos, há uma ironia gloriosa em transformar a exclusão de um palco em material de autoria. O sistema diz “você passou do ponto”, a mulher responde “então senta que agora eu escrevo”. Eu respeito. Tem ali dor real, claro, mas também tem estratégia, e mulher estrategista assusta mais do que muito júri de faixa e coroa.

No fim, o livro de Wanessa promete mexer num vespeiro que muita gente prefere maquiar com iluminador e fé de camarim. Porque concurso adora falar de sonho, disciplina e elegância, mas quase nunca fala do preço da performance. E esse preço, meu amor, não cabe na foto oficial, não cabe no sorriso ensaiado e definitivamente não cabe na legenda de parabéns para todas as candidatas.

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