Eu tinha a televisão ligada aqui no Cosme Velho, acompanhando a convocação da Seleção como qualquer brasileira que se preza, quando apareceu aquela picape camuflada de verde e amarelo com o Canarinho sentado na caçamba feito dono do pedaço. Liguei para a minha amiga da Volkswagen na hora: “O que é isso, minha filha?” Ela riu e disse: “É a Tukan. Bem-vinda ao futuro.”

A Tukan é a primeira picape da Volkswagen construída sobre a plataforma MQB, a mesma base robusta que a marca usa nos seus modelos mais sofisticados ao redor do mundo, aqui adaptada com suspensão traseira de eixo rígido e feixe de molas para aguentar o tranco e a carga. O projeto é 100% brasileiro, com produção confirmada em São José dos Pinhais, no Paraná, dentro de um pacote de 21 lançamentos que a Volkswagen promete para a América Latina até 2028, sustentado por R$ 20 bilhões de investimento.


A camuflagem artística que cobre a carroceria não é enfeite de ocasião. O time de Design da Volkswagen do Brasil, liderado por José Carlos Pavone, criou uma intervenção visual inspirada nos azulejos brasileiros, carregando símbolos da memória afetiva nacional: o tucano que dá nome ao modelo, o pandeiro, o Cristo Redentor, a bandeira do Brasil e as cinco estrelas da Seleção. A ideia era esconder as linhas definitivas do carro enquanto dizia tudo sobre quem ele quer ser. Missão cumprida com categoria.

A Tukan ainda vai revelar o design final, mas já ganhou um posto de honra na história: foi o primeiro modelo Volkswagen no Brasil a ter o próprio nome estampado na chapa traseira, e estreou ao lado de Ancelotti num dos eventos mais aguardados do calendário esportivo nacional. Se a picape performa na estrada metade do que performou no lançamento, a concorrência vai precisar se sentar para pensar com calma.
