Fefito publicou um vídeo fazendo um apelo direto a Maya Massafera sobre a forma como ela vem mostrando suas cirurgias plásticas nas redes sociais. Na legenda, o jornalista afirmou que a transição da influenciadora tem sido bonita de acompanhar, mas disse que os procedimentos passaram a ocupar um espaço que deveria estar mais ligado ao empoderamento dela.
Eu já estava de volta na pousada em Campos do Jordão, tentando fazer o aquecedor obedecer sem parecer uma turista derrotada, quando uma amiga me mandou o vídeo do Fefito com a mensagem: “assiste isso inteira”. Apertei o play achando que vinha só mais uma opinião atravessada da internet, mas não. Veio uma bronca com luva de pelica, dessas que começam com carinho e terminam mexendo na estrutura da casa.
No vídeo, Fefito diz que viu uma amiga em comum de Maya, alguém que gosta dela, afirmando que precisou dar unfollow porque não aguentava mais ver o estado em que ela estava. Em seguida, ele foi direto: “Eu também não tô aguentando, Maya”. Segundo ele, a influenciadora estaria “em carne viva”, mostrando cada detalhe dos procedimentos.

O ponto central da crítica não é simplesmente o resultado estético. Fefito reconheceu que cirurgias passam por fases difíceis, em que tudo piora antes de melhorar. O incômodo, segundo ele, está na fetichização das cirurgias plásticas, na transformação do procedimento em espetáculo e na exposição do choque como conteúdo.
“Esses procedimentos são feitos para você, não é você que é feita para os procedimentos”, disse Fefito, numa frase que deveria estar colada no espelho de muita clínica, muito feed e muito ego em reforma permanente.
Ele citou exemplos específicos. Falou sobre Maya mostrar ossos retirados do rosto para a câmera e afirmou que, naquele momento, o foco deixa de ser a melhora da influenciadora e passa a ser o grotesco. Também mencionou a cirurgia para diminuir os ombros em quatro centímetros, apontada por ela como inédita no Brasil, e disse que o risco e o ineditismo acabam tomando o lugar da própria Maya na narrativa.

A fala mais delicada veio quando Fefito conectou tudo isso ao impacto nos seguidores. Para ele, Maya é exemplo para muita gente que se olha no espelho e pode concluir que nunca será “perfeita” como ela, ou que não terá dinheiro para alcançar aquele padrão. O risco, segundo o jornalista, é que pessoas vulneráveis se submetam a cirurgiões baratos e perigosos tentando copiar um ideal inalcançável.
Fefito também citou o transtorno dismórfico corporal, ligado à percepção distorcida da própria imagem e à busca obsessiva por correções estéticas. Ele alertou que, se Maya estiver vivendo algo parecido, esse sofrimento pode ser transmitido ao público como modelo de comportamento. “É um ciclo vicioso, Maya”, afirmou.
E eu vou falar uma coisa: esse é o tipo de pauta em que a gente precisa pisar de salto fino, mas pisar certo. Maya tem o direito de transformar o próprio corpo, de se reconhecer, de buscar conforto na própria imagem e de celebrar sua transição. Isso é dela. O problema começa quando a recuperação vira espetáculo diário, quando a dor vira engajamento e quando o algoritmo aprende que carne viva prende mais atenção do que autoestima.
Fefito tentou fazer uma crítica dura sem desumanizar Maya. E isso importa. Ele elogiou a transição, chamou o processo de bonito, reconheceu o empoderamento dela, mas pediu que a influenciadora pense mais nela e nos seguidores. “Melhora só um pouquinho, é sobre você, não é sobre os procedimentos”, disse no fim.
No fundo, o apelo é esse: Maya não precisa virar vitrine cirúrgica para provar que existe. Ela já existe. E talvez o choque de ver tudo, o tempo inteiro, esteja roubando justamente a parte mais importante da história: a mulher que deveria estar no centro dela.