O padre Ferdinando Mancílio, prefeito do Santuário Nacional de Aparecida, alfinetou Flávio Bolsonaro durante homilia celebrada no sábado (31). Sem citar o senador nominalmente, o religioso falou sobre pessoas que não têm “um jatinho à disposição” para fugir, em referência que repercutiu após a saída de Flávio do Brasil rumo aos Estados Unidos.
Eu já estava vestida, organizando a saída do meio-dia, quando o vídeo divulgado pelo jornalista Felipe Reis apareceu diante de mim. E, meu amor, o púlpito entregou mais recado que muito palanque por aí.
“Você não tem um jatinho à disposição pra você fugir para onde você quiser. Você tem que labutar para ter o pão na mesa de todo dia”, afirmou Mancílio durante a celebração.

Eu parei com a bolsa aberta na cama porque não é preciso desenhar. Enquanto uns têm rota, avião fretado e porta de embarque, a maioria tem trabalho, boleto, ônibus, fila e a obrigação de fazer milagre para o dinheiro chegar até o fim do mês.
O padre defendeu uma Igreja próxima “dos pobres, dos sofredores” e ironizou as críticas que recebe por insistir nesse ponto. “Ah, esse padre tá voltando a falar de Igreja dos pobres, ele é um comunista. Obrigado, viu? Por sua conceituação para comigo, mas eu dispenso”, disparou.
Eu acho muito curioso como falar de fome, desigualdade e dignidade vira ofensa para quem prefere uma fé que não atrapalhe privilégio nenhum. O Evangelho não foi feito para servir de cortina de luxo, minhas filhas.

Mancílio afirmou que o cristão que ignora a realidade de pobres e humildes se afasta da mensagem religiosa. “O cristão que não quer abraçar a realidade que está em nossa volta, dos pobres, dos humildes, daqueles que têm a dignidade ferida, está longe do Evangelho”, declarou.
O religioso ainda criticou quem “pisa”, “massacra” e “fere” os outros para ocupar o primeiro lugar. Eu fechei a bolsa e pensei que tem sermão que vem sem nome, mas chega com endereço, CEP e até horário de embarque.
Ferdinando Mancílio já protagonizou outras homilias de repercussão política no Santuário de Aparecida, sempre com críticas ao uso da religião como ferramenta de poder.