Estava sentada na cadeira do salão aqui em Roma, esperando a tinta do cabelo pegar antes de pegar o avião de volta ao Brasil, quando meu telefone não parou mais. Victor Ikeda, o “japonês voador” de São Paulo, foi lá em Florianópolis e mostrou exatamente por que esse apelido não é brincadeira. Voo literal, gente. Voo com nota e tudo.
Na última bateria da primeira fase do STU National 2026, na etapa de Floripa, Ikeda guardou o melhor para o fim. Na terceira e derradeira volta, encaixou um Flip Body Varial e, na manobra final, um Flip Indy Disaster, e saiu da pista com 88,06, a nota mais alta de toda a classificatória. Isso com Pedro Barros (87,75), Nicolas Falcão (88,00) e Miguel Leal (86,47) também indo direto pra semifinal. Ou seja: a concorrência não é brincadeira, mas o rapaz entrou no hall sem passar pela portaria.


O histórico de Ikeda no STU é pequeno em pódios, apenas um terceiro lugar em Porto Alegre em 2024, mas o cara carrega nas costas a herança de um pai que foi pioneiro da família no Brasil e uma técnica que faz o paredão do Skatepark do Abraão parecer trampolim de quintal. Ele mesmo conta que a pista de Floripa “explode” o skatista de um jeito que Criciúma, a última etapa, não permitia. A pista diferente fez diferença diferente.
Nas redes, o apelido japonês voador voltou a circular com vídeos da volta premiada, stories de fãs e comentários comparando a nota de Ikeda com as dos outros cabeças de chave. A torcida organizada do skate nacional já está aquecida para a semifinal Park masculino desta tarde, marcada entre 18h20 e 19h30, com dez skatistas brigando por seis vagas na final de domingo.
Quem voa na primeira fase com essa tranquilidade, aquele sorriso solto estampado no rosto, já chegou na semifinal adiantado. Agora é só não tropeçar na descida.