Era sábado de manhã e eu já estava na frente do espelho, batom na mão, me arrumando para um almoço em Santa Teresa com as amigas, quando o celular vibrou. Minha amiga Sônia mandou um vídeo no grupo com um único comentário: “Kátia, OLHA.” Parei tudo. Victor Fasano, 67 anos, sentado à mesa com comida no prato e uma zebra, zebra mesmo, listrada, grande, com focinho na direção do almoço, ao lado dele. No Maranhão. Com a maior naturalidade do mundo.
O fato é esse e não tem como dourar: o ator que fez o Brasil babar nos anos 1990 e 2000 publicou um vídeo almoçando ao lado de uma zebra durante uma viagem pelo Maranhão. Fasano lidera hoje a Airom Ambiental, fundação dedicada à preservação e reintrodução de espécies ameaçadas, e viaja por diferentes regiões do mundo registrando animais e paisagens para conscientizar o público nas redes sociais. Ano passado foi Uganda, onde ficou pertinho de gorilas em habitat natural. Dessa vez, o Maranhão ganhou a zebra.
A virada de vida dele não é novidade para quem acompanha, mas o vídeo fez o grande público lembrar. Em entrevista ao podcast “Papagaio Falante”, Fasano foi cirúrgico ao explicar a saída da TV: disse que tinha uma história linda na televisão, agradeceu a todos que fizeram parte daquele período, mas declarou que seu dharma é outro, o de divulgar a existência de outras espécies. Fechou o assunto com “não quero mais fazer novela”, sem drama, sem nostalgia encenada.
Nas redes, o vídeo foi um estouro. A galera mais jovem que só conhecia o nome começou a procurar quem era esse homem tão à vontade com um equídeo africano no almoço. Os fãs mais antigos, aqueles que suspiravam por ele em “O Clone”, entraram em colapso coletivo e nostálgico. As páginas de fofoca pipocaram prints e comparações entre o galã da Globo dos anos 2000 e o homem que hoje prefere a savana ao estúdio.
Olha, Fasano fez uma escolha e vive ela com consistência, e isso merece respeito. Mas a Kátia fica só com uma dúvida: nessa mesa toda, quem mandou na comida, o homem ou a zebra?