Luana Piovani retomou a discussão que teve com Neymar sobre a chamada PEC das Praias para criticar Flávio Bolsonaro (PL) e alertar para os riscos que ela atribui à proposta. Em participação no canal Revelando, a atriz afirmou que o senador, relator do texto no Senado, ajuda a defender um projeto que pode beneficiar condomínios, hotéis e grandes empresários.

Eu já estava com as amigas escolhendo a mesa do almoço, pertinho do Santuário de Fátima, quando dei de cara com Luana de novo no ringue político. E, dessa vez, ela não puxou Neymar para a conversa por fofoca antiga, não: puxou para dizer que o buraco, segundo ela, era bem maior.
“Eu errei! Há dois anos, eu arrumei uma briga com o Neymar. Eu achei que ele queria privatizar as nossas praias. O meu erro não foi brigar com ele, foi brigar só com ele. Eu não sabia que essa história era bem maior que o Neymar”, declarou.
A PEC 3/2022 trata dos chamados terrenos de marinha, áreas próximas ao litoral que hoje pertencem à União. Flávio Bolsonaro é relator da proposta e apresentou parecer favorável com emendas; o texto permanece em tramitação no Senado.
Eu sentei à mesa e pensei: praia no Brasil é quase religião nacional. Então, quando alguém fala em terreno, escritura e acesso, o povo logo imagina catraca na areia, pulseirinha VIP e trabalhador tendo de pedir licença para ver o mar.
Luana afirmou que a proposta pode abrir espaço para que donos de terrenos próximos à praia dificultem a circulação de pessoas. “Esse projeto pode mudar a praia que você frequenta, impedir que você chegue até a sua areia e mergulhe no mar, pode criar a praia com área VIP e lista na entrada”, alertou.
A atriz também mirou diretamente os eleitores de Flávio Bolsonaro ao dizer que o impacto, na visão dela, atingiria sobretudo quem economiza o ano inteiro para passar férias no litoral. “Você é a primeira pessoa que essa turma quer barrar. Ninguém vai te expulsar na porrada. Eles vão te perguntar: ‘O que você está fazendo aí?’”, afirmou.
Eu larguei o cardápio por um minuto porque a fala veio com areia na cara e sal na ferida. Luana sabe provocar, mas também fez uma crítica política objetiva: Flávio não é autor da PEC, como ela mesma reconheceu, porém atua como relator e defensor do avanço do texto.
O senador argumenta que a proposta busca reduzir insegurança jurídica e regularizar a situação de ocupantes de terrenos de marinha. Em versões apresentadas por ele, há previsão de preservação do caráter público das praias, mas críticos da PEC temem efeitos indiretos sobre o acesso ao litoral.

Entre uma garfada e outra, eu só consegui pensar que Luana transformou uma antiga treta com Neymar em alerta eleitoral para Flávio. E quando ela entra em assunto de praia, minha gente, não vem onda mansa: vem ressaca, megafone e dedo apontado.