Eram quase seis da manhã no Rio quando a notícia chegou. Cosme Velho ainda no breu, o ar da madrugada fria descendo a encosta, e o grupo das fofoqueiras já em chamas com uma cena que parecia roteiro de série policial. Mas não era ficção, meu bem. Era a Zona Sul de São Paulo, era um túnel, era uma van, e eram sete tiros.
A van que levava Anderson Neiff e sua equipe de volta à hospedagem saiu do show no Jardim São Luiz às 5h50 da manhã,  e não chegou ao destino sem trauma. No Túnel Max Feffer, três homens em motocicletas interceptaram o veículo e abriram fogo, disparando ao menos sete vezes contra a lataria.  Sete tiros num túnel fechado. Isso não tem nada de errado de alvo, tem cara de gente que sabia o que estava procurando.
Dos sete projéteis que atingiram a van, apenas um acertou o cantor, na região das costas. Toda a equipe técnica que estava no veículo saiu ilesa.  Os próprios integrantes da equipe prestaram os primeiros socorros ali mesmo e conduziram Neiff ao Hospital Sírio-Libanês, onde ele entrou em cirurgia de urgência.  O empresário Thiago Gravações confirmou o ataque e pediu orações publicamente. O Sírio-Libanês, seguindo protocolo, não divulga estado de pacientes sem autorização da família.
A Polícia Civil investiga o caso no 14º DP como tentativa de homicídio. As câmeras do túnel estão sendo analisadas e testemunhas serão ouvidas. Não há indícios de assalto, o que aponta para vingança ou erro de alvo numa região conhecida pela violência.  O timing do ataque, com os três motociclistas posicionados justamente no trecho fechado do túnel, levanta a hipótese de que a rota da van era conhecida, ou foi acompanhada desde o show.
Em 2025, Neiff já havia cancelado um show em Fortaleza após receber ameaça de morte de um traficante, numa briga que envolvia uma mulher que ele havia frequentado.  A ameaça foi pública, levada a sério, virou manchete, e aparentemente não foi resolvida só com cancelamento de agenda.
Sete tiros numa van de artista num túnel de São Paulo, sem tentativa de roubo, têm um histórico bastante específico como contexto.
A questão que fica não é quem atirou, é quem mandou, quando mandou e por qual conta antiga ainda não paga. A Polícia Civil tem imagens, tem sobreviventes para ouvir, tem um endereço de crime muito bem escolhido. O Túnel Max Feffer não é um lugar onde alguém bate de frente com uma van por acidente às seis da manhã com três motocicletas e sete balas. Isso foi planejado. Agora é só esperar a conta aparecer.