Longe das novelas há mais de 15 anos, Sergio Hondjakoff encontrou uma nova maneira de transformar a fama do eterno Cabeção de “Malhação” em renda. O ator comercializa vídeos personalizados, participa de eventos e aceita trabalhos publicitários, mas o preço das campanhas depende do bolso de quem contrata.
A campanha finalmente terminou no estúdio do Jardim Botânico, e eu acompanhei a equipe até a mesa do lanche tardio enquanto conferia se o colar havia voltado inteiro para o estojo. Entre um sanduíche e outro, o produtor perguntou quanto custaria chamar o Cabeção para divulgar uma marca. Minha filha, bastou dizer “publi” para todo mundo esquecer a dieta de Xuxa e começar a calcular cachê.

Segundo Dino Boyer, empresário de Sergio, uma mensagem personalizada custa R$ 500. O ator grava conteúdos para aniversários, casamentos, pedidos de namoro e homenagens entre grupos de amigos.
“Galera, quero agradecer a todos vocês que têm me mandado mensagens no direct para perguntar sobre os vídeos personalizados. Estou muito grato”, declarou Sergio no Instagram.
Já os anúncios publicitários não possuem uma tabela única. O valor é negociado conforme o tamanho da empresa, o alcance da campanha e as exigências da ação.
“Os anúncios de publicidade tratamos caso a caso, porque não podemos cobrar o mesmo valor para uma rede de supermercados e uma loja única de cidade pequena”, explicou o empresário à revista Quem.
Portanto, não há um cachê milionário fixado para contratar o antigo galã adolescente. Uma pequena empresa pode negociar condições diferentes das oferecidas a uma grande rede nacional. Também entram nessa conta o formato, o tempo de gravação e o uso da imagem do ator.
A estratégia tem funcionado. Segundo Dino, a procura pelos vídeos é positiva e já permite que Sergio se sustente com o serviço. Em um mês considerado bom, o faturamento chegou a R$ 25 mil. Para alcançar esse valor apenas com mensagens de R$ 500, seriam necessários cerca de 50 vídeos.
Sergio interpretou Cabeção em “Malhação” entre 2000 e 2006 e virou um dos rostos mais reconhecidos daquela geração do programa. Sua última participação em uma novela aconteceu em “Bela, a Feia”, exibida pela Record em 2009.

Nos últimos anos, o ator falou publicamente sobre sua dependência química e passou por internações em clínicas de reabilitação. Agora, tenta reconstruir a vida profissional aproveitando o carinho que o personagem ainda desperta no público.
E existe algo muito brasileiro nessa história: Cabeção saiu da televisão, mas nunca saiu completamente da memória de quem chegava da escola para assistir a “Malhação”. A Globo não renovou o contrato, porém a nostalgia continua pagando cachê, boleto e até mensagem de aniversário.