Brasil, senta que eu estou elétrica. Eu, Kátia Flávia, já acordei sentindo cheiro de café italiano, trilha de cinema europeu e close bem dado. A notícia é dessas que eu leio e já imagino câmera lenta, vento no cabelo e legenda emocionada. Valentine Bernard está na Itália gravando um documentário internacional e eu estou fingindo costume enquanto meu coração de noveleira faz pirueta.
Valentine, que eu apelidei carinhosamente de Musa da Inclusão Internacional, resolveu cruzar o oceano com a segurança de quem sabe onde pisa. Depois de cinema, campanhas e muita gente engolindo preconceito seco, ela aparece em solo italiano vivendo experiências reais, nada de pose de cartão postal, tudo com cara de vida acontecendo ao vivo e em cores. Eu já vejo o povo pesquisando o nome dela de madrugada, aquele tipo de busca emocionada que derruba o algoritmo.
E atenção para o detalhe que meu radar de fofoqueira afetiva captou rapidinho. O namorado Enzo está ali, firme, acompanhando a viagem e dividindo cena, rotina, afeto e parceria. Eu chamei mentalmente de Casal Manifesto, porque o filme mostra amor e autonomia sem teatrinho explicativo, daquele jeito que desmonta argumento torto só pela presença. Isso, meus amores, é narrativa que fala andando.
O documentário acompanha Valentine no cotidiano, nos encontros culturais, nas descobertas sensoriais, nas ruas italianas que eu imagino cheias de figurante bonito e luz perfeita. O foco está na construção da autonomia, no trabalho, nos relacionamentos, na ocupação de espaços que sempre tentaram fechar a porta. E eu digo com toda a minha dramaticidade assumida, isso aqui é material de choro elegante e aplauso longo.
Eu adoro quando a arte resolve ser direta sem pedir licença. Valentine reafirma ali, com carisma e uma naturalidade desarmante, que pessoas com Síndrome de Down estão nas artes, nos afetos, no mundo real, pagando boleto, amando, escolhendo, vivendo. O tipo de mensagem que deixa muita gente sem argumento e com cara de quem precisa rever o roteiro mental.
A produção tem lançamento previsto ainda este ano e já está prometendo emoção daquelas que grudam na garganta. Eu, que vivo de drama e exagero, assumo. Quero assistir com lenço, comentário alto e aquele sentimento gostoso de testemunhar alguém ocupando o centro da própria história.
Anota aí. Valentine Bernard na Itália não é só gravação de documentário, é capítulo importante dessa novela chamada vida real, com protagonista forte, roteiro honesto e final aberto para novos voos. Eu sigo acompanhando, comentando e fazendo meu papel de fofoqueira emocionada, porque quando o babado é bom, eu espalho com prazer.