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Kátia Flávia
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“Vai lavar louça”: Ana Thaís Matos é alvo de ataques machistas após criticar Neymar

Kátia Flávia

06/07/2026 15h30

Ana Thaís Matos expôs ataque machista após criticar Neymar na Globo

Ana Thaís Matos expôs ataque machista após criticar Neymar na Globo

Ana Thaís Matos voltou ao centro da repercussão da eliminação do Brasil para a Noruega, mas agora por causa dos ataques que recebeu após criticar Neymar ao vivo. A comentarista da Globo expôs uma mensagem machista enviada por um internauta, que tentou desqualificar mulheres no jornalismo esportivo e mandou a jornalista comentar “Copa do Mundo de roupas passadas” e “louças limpas”.

Eu ainda estava no quarto do hotel em Nova York, tentando decidir se enfiava o adaptador de tomada na bolsa de mão ou na mala despachada, quando o print da Ana Thaís apareceu no celular. Parei tudo, porque tem comentário que não é opinião: é recibo de homem que não aguenta ver mulher falando de futebol sem pedir licença para o patriarcado de bermuda.

Comentarista questionou postura do jogador na derrota do Brasil para a Noruega
Comentarista questionou postura do jogador na derrota do Brasil para a Noruega

A nova treta começou depois da fala de Ana Thaís durante a transmissão da Globo. Na reta final da derrota brasileira, Neymar marcou o único gol da Seleção Brasileira, mas também provocou o goleiro da Noruega e se envolveu em confusão dentro de campo. A jornalista criticou a postura do camisa 10 e questionou a utilidade daquele comportamento em um momento decisivo.

“Bela participação do Neymar no jogo. Para quem esperava que ele fosse decidir a Copa do Mundo para o Brasil, tá aí arrumando briga na reta final da partida”, disse Ana Thaís. Everaldo Marques concordou na sequência: “Pra isso que ele veio?”.

A análise dividiu a internet. Parte do público apoiou a crítica, enquanto defensores de Neymar passaram a atacar a comentarista. Só que, como acontece sempre que uma mulher ousa analisar futebol sem pedir benção a comentarista de sofá, a discussão saiu do campo e foi parar no esgoto do machismo.

Em uma das mensagens expostas por Ana Thaís, um internauta escreveu que “cotas não dá certo” e sugeriu que mulheres deveriam organizar uma Copa do Mundo de “roupas passadas” e “louças limpas” para comentar “com propriedade”.

Minha filha, é de uma pobreza intelectual que nem VAR salva. O sujeito vê uma comentarista criticando um jogador em plena Copa, discorda, e em vez de argumentar sobre bola, tática, lance ou postura, corre para o velho armário da misoginia e tira de lá o pano de prato emocional.

Ana Thaís não deixou barato. Nos stories, ela publicou o print e rebateu com ironia: “Pior que homem burro, é homem feio. Imagina: feio e burro?”.

E aqui Kátia aplaude sentada, porque às vezes a resposta técnica já foi dada no ar. O resto é manutenção de autoestima diante de gente que acha que futebol é território masculino por escritura pública. Ana Thaís foi contratada para comentar jogo, não para servir silêncio a quem não suporta crítica ao ídolo.

O ponto principal agora não é mais se Neymar merecia ou não a bronca. Esse debate já aconteceu na transmissão e nas redes. A pauta é outra: a facilidade com que uma crítica esportiva feita por uma mulher vira pretexto para ataque misógino.

Jornalista rebateu hater com deboche nos stories do Instagram
Jornalista rebateu hater com deboche nos stories do Instagram

Homem pode gritar, xingar técnico, chamar jogador de pipoqueiro, pedir demissão de treinador e questionar escalação até perder a voz. Mas quando uma mulher aponta o dedo para a postura de Neymar, aparece alguém mandando lavar louça. Depois dizem que o futebol mudou. Mudou nada, meus amores. Só trocaram o radinho pelo celular.

Ana Thaís saiu maior dessa história justamente porque expôs o mecanismo. O hater tentou diminuí-la, mas acabou mostrando o tamanho do incômodo que uma mulher competente ainda causa quando ocupa uma cadeira de análise esportiva. E, convenhamos, se a crítica dela doeu tanto, talvez seja porque acertou mais forte do que muito chute da Seleção Brasileira.

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