Eu ainda estava saindo do salão, aqui no Leblon, quando o celular vibrou com o release do Grupo Trama Reputale. A Leila Gasparindo, CEO do grupo, assinou a divulgação de um e-book que nasceu dentro da disciplina de Relações Públicas Globais da ECA/USP, sob coordenação da professora Maria Aparecida Ferrari e da pesquisadora pós-doutoral Kalliandra Quevedo Conrad. Alunos produziram, especialistas revisaram, a Trama Reputale cuidou do design e da linguagem visual. Isso é parceria academia com mercado do jeito que deveria ser sempre.
O guia parte do conceito de “corpos dissidentes”, que engloba tudo que foge às normas dominantes de gênero, idade, raça, capacidade e origem, e vai fundo em temas que o mercado ainda trata com superficialidade de cartilha. Etarismo e longevidade entram na conta, com dados sobre a exclusão naturalizada de quem passa dos 40 no mercado de trabalho. Maternidade aparece pelo ângulo da sobrecarga e do impacto real na carreira feminina. Racismo estrutural, povos originários, refugiados e pessoas trans completam um material que, ao contrário do que se vê por aí, não é decorativo.

O diferencial do e-book é a abordagem interseccional, que mostra como diferentes marcadores sociais se sobrepõem e criam exclusões mais complexas do que qualquer treinamento de compliance consegue resolver sozinho. Além da teoria, o guia traz dinâmicas, jogos, estudos de caso e análises de obras culturais para aplicação no cotidiano profissional. Kalliandra Quevedo Conrad resumiu bem: o resultado amplia o acesso a informações qualificadas sobre diversidade, tanto para formação acadêmica quanto para o mercado.
O Grupo Trama Reputale completa 30 anos em 2026, fundado e liderado por mulheres, com o selo Women Owned da WEConnect International. A professora Maria Aparecida Ferrari, da USP, foi direta: ainda há uma lacuna importante de conteúdos aplicáveis sobre diversidade no mercado, e o guia veio para preencher isso.


