Estava lá na academia do Leblon, na batalha diária com o glúteo, quando o telefone começou a vibrar sem parar com mensagens de fontes que acompanham o noticiário internacional. O assunto, desta vez, não era novela nem reality: era a TV estatal iraniana mandando dois apresentadores ao vivo empunharem armas de fogo, em resposta ao ultimato de Donald Trump, que ameaçou aniquilar o Irã caso Teerã não aceite um acordo de paz.
O apresentador Hossein Hosseini, do canal estatal Ofogh, recebeu treinamento básico em armas de fogo de um membro mascarado da Guarda Revolucionária paramilitar, ao vivo, e simulou disparar contra a bandeira dos Emirados Árabes Unidos. No canal 3, a apresentadora Mobina Nasiri declarou em rede nacional que estava pronta para sacrificar a própria vida pelo país, depois de receber uma arma diretamente de uma manifestação na Praça Vanak, em Teerã, convocada pelo próprio governo iraniano.
O clima havia escalado depois que Trump publicou em rede social um novo ultimato ao regime, escrevendo que o relógio estava correndo e que não sobraria nada do Irã se Teerã não se mexesse rápido. No dia 10, o presidente americano já tinha chamado de totalmente inaceitável uma contraproposta do regime a um plano de paz da Casa Branca. Como pano de fundo: o Estreito de Ormuz permanece majoritariamente fechado, os EUA transportam munições para Israel, e um ataque de drone atingiu uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos no fim de semana.
Os mercados responderam com o nervosismo esperado. O barril Brent subiu 1,9% e ultrapassou 111 dólares, partindo dos 70 dólares negociados em fevereiro, antes do início do conflito. O petróleo americano de referência saltou 2,3%, chegando a quase 108 dólares o barril. A combinação de ultimatos presidenciais, canal estatal armado e Estreito fechado produziu um nível de ansiedade nos investidores que não se via há meses.
Apresentador de telejornal empunhando fuzil ao vivo, com fogo ao fundo, não é cobertura jornalística: é declaração de estado de guerra emocional de um regime que sabe que a pressão está chegando ao limite. O que a televisão iraniana mostrou neste fim de semana serve para lembrar que, quando a diplomacia falha de vez, o mundo ainda apela para a imagem do homem armado. E isso, minha gente, é o sinal mais grave que uma câmera pode transmitir.