Amores, hoje eu sou noveleira e estou com ocoração pesado. Três Graças resolveu não brincar em serviço e jogou o Raul direto no abismo emocional. É daqueles momentos que a gente assiste em silêncio, engole seco e pensa “por que tão fazendo isso com esse menino?”.
Depois de descobrir que Rogério está vivo e, logo em seguida, encarar mais um abandono cruel, Raul simplesmente desanda. O personagem vivido por Paulo Mendes sai do casarão, perde o rumo e passa a morar na rua, em cenas noturnas, frias e profundamente simbólicas. Não é miséria estética, é dor real, daquelas que rasgam por dentro.

Convencido de que foi deixado mais uma vez pelo pai, Eduardo Moscovis, Raul vaga sem destino, observa pessoas em situação de rua dormindo e, num gesto que corta o peito, decide se aninhar entre elas. Não é rebeldia. É desistência. É um filho que não entende por que nunca é escolhido.
No dia seguinte, o choque. Gerluce, interpretada por Sophie Charlotte, encontra Raul naquele cenário impensável. Ela pede ajuda, tenta trazê-lo de volta, mas ele está fechado, machucado demais para aceitar qualquer mão estendida. Nem o apelo de Paulinho, vivido por Rômulo Estrela, consegue quebrar essa muralha.

O próprio Paulo Mendes resume tudo com precisão dolorosa. Raul vira uma bomba emocional. Sem respostas, sem referência paterna, ele é obrigado a crescer à força, assumir responsabilidades e encarar quem ele é, e quem nunca pôde ser. É sofrimento que transforma.
Eu confesso. Estou desolada. Amo Três Graças, amo personagens densos e amo novelas que não subestimam o público. Mas ver o Raul assim dói. Dói porque é real. Dói porque poderia ser qualquer um. E dói porque a gente só quer abraçar esse menino e dizer que ele não está sozinho.

Preparem o lencinho. A novela entrou numa fase linda, dura e absolutamente necessária.