Luiza Zveiter, repórter da Globo, revelou que sofreu pressão estética dentro da própria trajetória profissional. Segundo ela, ao tentar sair do jornalismo e migrar para o entretenimento da emissora, ouviu que precisava emagrecer para conquistar a oportunidade.
Eu já tinha parado numa loja de sucos depois da academia e estava encarando um cardápio que fingia que couve com gengibre é uma alegria, quando li a frase da Luiza. E, meus amores, tem bastidor de televisão que não precisa de vilão maquiado: basta alguém dizer “tinha que ser magra” para o roteiro inteiro ficar horroroso.

A revelação foi feita em entrevista à coluna Play, do jornal O Globo. Luiza contou que não gosta muito de falar sobre o episódio, mas explicou que a cobrança mexeu profundamente com ela.
“Me disseram que, para ir para o entretenimento, que era o meu sonho, eu tinha que ser magra”, afirmou.
Segundo a jornalista, foi a partir daquele momento que ela começou a questionar os motivos do ganho de peso e mudou a relação com alimentação e exercícios. A virada, no entanto, não aconteceu de forma simples. Ela contou que começou a mudar de vida de verdade em 2014, dois anos depois da cobrança.
Antes disso, Luiza já havia passado por uma cirurgia bariátrica. A decisão de emagrecer veio aos 18 anos, quando ainda morava na Austrália. Ao voltar ao Brasil, ela buscou informações sobre o procedimento, mas afirmou que não imaginava a quantidade de dificuldades que enfrentaria depois.
E aqui eu quase larguei o suco detox no balcão, porque muita gente fala de bariátrica como se fosse passe de mágica. Luiza abriu uma fresta bem menos glamourosa dessa história: ácido deteriorando esmalte dos dentes, necessidade de canal ou coroa, reaprendizado alimentar, flacidez e várias cirurgias plásticas.
“São muitas questões que intimamente ninguém sabe que eu passo”, disse.
A repórter também falou sobre o comportamento dos homens antes e depois da perda de peso. Ela contou que, quando morava na Austrália, sentia que ninguém a olhava. Depois da cirurgia, percebeu uma mudança radical.
“Os meninos que eu achava bonitos na escola e não me olhavam, depois da cirurgia, meio que começaram a me dar cantadas”, relembrou.
Luiza, porém, não viu isso como elogio tardio. Ela disse que pensava: “Meu filho, não me pegou na época só porque eu era gordinha e agora está querendo sair comigo? Para com isso porque eu sou a mesma pessoa”.
Eu paguei o suco e saí pensando que essa frase devia ser colada na porta de muito camarim, muito escritório e muito direct metido a sedutor. Porque ela resume o ponto: o corpo mudou, mas a pessoa sempre esteve ali.

Apesar da pressão que enfrentou, Luiza avalia que o debate sobre padrões de beleza avançou. Ela disse que hoje as pessoas começam a entender que existem corpos diferentes, que o corpo do outro não deve incomodar e que ninguém deve julgar.
Ao falar sobre os mais de 70 kg que perdeu, a jornalista afirmou que era feliz gorda, mas descobriu uma felicidade que não conhecia quando emagreceu. A diferença, meus amores, é que essa descoberta deveria ser dela, no tempo dela, e não exigência de bastidor para caber numa tela.