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Kátia Flávia
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“Tinha que ser magra”: repórter da Globo expõe pressão cruel nos bastidores da TV

Luiza Zveiter contou que ouviu exigência para migrar ao entretenimento, relembrou bariátrica, perda de 70 kg e criticou a forma como passou a ser tratada após emagrecer

Kátia Flávia

13/08/2026 10h44

Luiza Zveiter revelou que sofreu pressão estética nos bastidores da Globo

Luiza Zveiter revelou que sofreu pressão estética nos bastidores da Globo

Luiza Zveiter, repórter da Globo, revelou que sofreu pressão estética dentro da própria trajetória profissional. Segundo ela, ao tentar sair do jornalismo e migrar para o entretenimento da emissora, ouviu que precisava emagrecer para conquistar a oportunidade.

Eu já tinha parado numa loja de sucos depois da academia e estava encarando um cardápio que fingia que couve com gengibre é uma alegria, quando li a frase da Luiza. E, meus amores, tem bastidor de televisão que não precisa de vilão maquiado: basta alguém dizer “tinha que ser magra” para o roteiro inteiro ficar horroroso.

A revelação foi feita em entrevista à coluna Play, do jornal O Globo. Luiza contou que não gosta muito de falar sobre o episódio, mas explicou que a cobrança mexeu profundamente com ela.

“Me disseram que, para ir para o entretenimento, que era o meu sonho, eu tinha que ser magra”, afirmou.

Segundo a jornalista, foi a partir daquele momento que ela começou a questionar os motivos do ganho de peso e mudou a relação com alimentação e exercícios. A virada, no entanto, não aconteceu de forma simples. Ela contou que começou a mudar de vida de verdade em 2014, dois anos depois da cobrança.

Antes disso, Luiza já havia passado por uma cirurgia bariátrica. A decisão de emagrecer veio aos 18 anos, quando ainda morava na Austrália. Ao voltar ao Brasil, ela buscou informações sobre o procedimento, mas afirmou que não imaginava a quantidade de dificuldades que enfrentaria depois.

E aqui eu quase larguei o suco detox no balcão, porque muita gente fala de bariátrica como se fosse passe de mágica. Luiza abriu uma fresta bem menos glamourosa dessa história: ácido deteriorando esmalte dos dentes, necessidade de canal ou coroa, reaprendizado alimentar, flacidez e várias cirurgias plásticas.

“São muitas questões que intimamente ninguém sabe que eu passo”, disse.

A repórter também falou sobre o comportamento dos homens antes e depois da perda de peso. Ela contou que, quando morava na Austrália, sentia que ninguém a olhava. Depois da cirurgia, percebeu uma mudança radical.

“Os meninos que eu achava bonitos na escola e não me olhavam, depois da cirurgia, meio que começaram a me dar cantadas”, relembrou.

Luiza, porém, não viu isso como elogio tardio. Ela disse que pensava: “Meu filho, não me pegou na época só porque eu era gordinha e agora está querendo sair comigo? Para com isso porque eu sou a mesma pessoa”.

Eu paguei o suco e saí pensando que essa frase devia ser colada na porta de muito camarim, muito escritório e muito direct metido a sedutor. Porque ela resume o ponto: o corpo mudou, mas a pessoa sempre esteve ali.

Apesar da pressão que enfrentou, Luiza avalia que o debate sobre padrões de beleza avançou. Ela disse que hoje as pessoas começam a entender que existem corpos diferentes, que o corpo do outro não deve incomodar e que ninguém deve julgar.

Ao falar sobre os mais de 70 kg que perdeu, a jornalista afirmou que era feliz gorda, mas descobriu uma felicidade que não conhecia quando emagreceu. A diferença, meus amores, é que essa descoberta deveria ser dela, no tempo dela, e não exigência de bastidor para caber numa tela.

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