Eu ainda estou na cama. Nem levantei. Está aquele domingo de feriado no Rio de Janeiro em que o corpo simplesmente informa que qualquer compromisso antes do almoço foi cancelado por decisão superior. Só que meu celular, evidentemente, não respeita descanso.
Abri um olho, peguei o telefone e lá estava ela: Tia Milena. E o assunto é sério.
A vice-campeã do BBB 26 afirmou ter sofrido racismo durante o Rock in Rio, no sábado (5), depois de tentar conhecer o estande de uma marca localizado na área VIP do festival. Segundo Milena, uma profissional da segurança a teria destratado durante a abordagem.
“Não fui bem recebida, foi uma situação bem chata”, relatou ela nas redes sociais.
E aí vem a pergunta que deixou esta fofoqueira completamente acordada sem precisar nem do primeiro café: Milena acredita que o tratamento teria sido o mesmo se ela fosse uma mulher branca e muito famosa?
Foi justamente essa reflexão que ela levou ao público. “Se fosse uma pessoa branca, famosona, eu queria ver se teria acontecido uma situação dessa”, declarou.
Há um detalhe importante: Milena afirmou que a própria segurança envolvida no episódio também era negra. Para a ex-BBB, isso não invalida sua percepção sobre o ocorrido. “Racismo acontece em qualquer lugar e também pela nossa própria raça”, disse.
Agora, tem outra coisa que está deixando todo mundo curioso: qual era a marca?
Milena não revelou.
E eu aqui, deitada no Cosme Velho, olhando para o teto e pensando que bastaram três palavras — “estande”, “marca” e “VIP” — para metade do Rio de Janeiro começar mentalmente a reconstruir o mapa do festival. Mas enquanto ela não disser qual empresa era, não existe marca para colocar nessa história. E ponto.
O Rock in Rio informou que está apurando o caso e declarou ter “tolerância zero” para discriminação, preconceito, assédio ou violência. A organização também afirmou que Milena não formalizou a ocorrência durante o festival e orientou eventuais vítimas a procurarem as equipes de acolhimento disponíveis no evento.
Então temos, até agora, duas informações que precisam permanecer lado a lado: Milena diz que sofreu racismo; o Rock in Rio diz que está investigando o que aconteceu.
E eu continuo na cama.
Só que agora completamente acordada.
Porque o Rock in Rio pode até ter palco, camarote, celebridade e guitarra ligada no máximo. Mas, neste domingo, uma das histórias que está repercutindo aconteceu justamente onde ninguém deveria precisar disputar espaço: no direito de ser tratado com respeito.