Vinte e um graus no Rio, céu cinza, e eu no carro descendo para a academia do Leblon ainda remoendo o mesmo assunto de ontem. Passei a terça inteira falando disso com quem quisesse ouvir e com quem não quisesse também. Parei no sinal, revi o trecho e bati a mão no volante. Não, Thayse. Na tela do SBT, não.
Comentando a saída de Flávio Bolsonaro do país depois da eleição, Thayse Teixeira disse que faria o mesmo e perguntou como alguém fica num país em que é ameaçado o tempo todo. Gabriel Cartolano lembrou, com toda a calma do mundo, que o senador responde a um inquérito. Ela devolveu mandando Daniel Vorcaro abrir a boca e entregar a lista de quem recebeu dinheiro do Banco Master, e emendou que em todos os anos dela votando nunca viu prorrogar tanto tempo. “Está tudo errado no país”, insistiu.

Aí entrou o Matheus Baldi com a calculadora e cortou a colega no meio da frase. Foram 35 mil votos registrados depois das 17h, numa eleição com 4 milhões de diferença. Nem se todos fossem para o mesmo lado a conta mudaria. Eduardo Gayer, do SBT News, ainda completou que a campanha do próprio Flávio tinha pedido extensão de horário, e Cartolano confirmou que as duas pediram. A resposta dela foi que o Brasil não é para amadores. Pois é, querida. Por isso mesmo o colega fez a conta.
E a prorrogação não caiu do céu. No domingo (25), o ministro Cristiano Zanin, do STF, estendeu a votação até as 19h depois de relatos de falta de ônibus em vários estados, e a campanha de Flávio também tinha pedido mais tempo em cidades castigadas pela chuva. Foi confuso? Foi. Teve escola reabrindo portão, seção fechando no horário antigo e mesário sem saber o que fazer. Dá para criticar a bagunça à vontade. Daí a insinuar fraude no resultado, sem um único papel na mão, vai uma distância enorme.
E é aqui que eu perco a paciência. Fofoca eu faço, opinião todo mundo tem, mas jogar suspeita sobre uma eleição numa emissora que é concessão pública, sem prova nenhuma, não tem graça nenhuma. O SBT do Silvio nunca foi palanque de teoria. Desde que ele se foi, em 2024, eu ando vendo gente sentada naquele cenário que ainda não entendeu o espírito da casa, e a Thayse acabou de dar o exemplo mais didático.
Estacionei, peguei a garrafa d’água e entrei na academia com duas certezas: o Baldi merece um cafezinho por salvar a tarde do SBT, e a Thayse merece uma aula de matemática eleitoral antes do próximo programa.