Vinte e cinco graus em Sintra, cara de verão em pleno outubro, e eu de tênis e bolsa atravessada, pronta para sair com as amigas e conhecer a Quinta da Regaleira antes do almoço. Só que antes de fechar a porta eu reli pela terceira vez o comunicado da Thássia Naves, porque essa resposta pede leitura de lupa, vírgula por vírgula.
Thássia rompeu o silêncio na tarde de sexta, um dia depois de o irmão, José Naves de Ávila Neto, publicar uma sequência de doze stories sobre o afastamento entre os dois. No texto, ela diz que os fatos estão sendo tratados na Justiça e que existe “uma medida protetiva em vigor em meu favor”, concedida porque as autoridades entenderam que essa proteção era necessária.
Agora coloca uma versão do lado da outra. Na quinta, José contou que recebeu a medida, com base na Lei Maria da Penha, depois de mandar ao cunhado, Artur Attie, uma mensagem dizendo que passaria por cima dele “como um trator”. Chamou a própria atitude de errada e agressiva, disse que na época era dependente de álcool e afirmou que nunca agrediu a irmã. Na sexta, Thássia escreveu que a proteção existe em favor dela e que o que aconteceu “vai muito além” e não cabe numa sequência de stories. Eu não preencho a lacuna entre as duas frases. Quem preencheu foi um juiz.
O detalhe que muda a leitura é o que ela decidiu não fazer. Thássia escreveu que poderia contar o que aconteceu, mostrar conversas, trazer episódios e responder ponto por ponto, e escolheu não fazer nada disso para não expor ainda mais uma situação dolorosa que envolve a família inteira. Ela também reconheceu, com todas as letras, que quando só um lado fala o silêncio do outro pode ser interpretado de várias maneiras. São quase 20 anos de internet de uma mulher que construiu a carreira mostrando a família, e na hora mais pesada ela fecha a porta da casa. De um lado, doze stories cheios de perguntas sobre “pressão dentro de casa”. Do outro, quatro parágrafos sem um único print.
As perguntas do irmão ficaram sem resposta direta, e o comunicado deixa claro que vão continuar assim fora do tribunal. Artur Attie, até onde eu apurei, não se pronunciou publicamente. Thássia fechou agradecendo o carinho e pedindo respeito e compreensão com todos os envolvidos, inclusive, pela leitura do texto, com quem resolveu falar primeiro.
Quando existe medida protetiva, o tamanho da história quem define é a Justiça, e a Thássia disse isso sem levantar a voz. Saí para a Regaleira com a sensação de ter lido o comunicado mais firme da semana.