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Kátia Flávia
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Teste do Pezinho completa 25 anos no Brasil, mas desafios ainda dificultam diagnóstico precoce de doenças raras

Especialistas alertam para desigualdades regionais, atrasos na coleta e dificuldades no acesso ao tratamento, mesmo após avanços do Programa Nacional de Triagem Neonatal

Kátia Flávia

01/06/2026 17h15

Coleta do Teste do Pezinho realizada nos primeiros dias de vida do recém-nascido (Divulgação/SBTEIM).

Coleta do Teste do Pezinho realizada nos primeiros dias de vida do recém-nascido (Divulgação/SBTEIM).

O Dia Nacional do Teste do Pezinho, celebrado em 6 de junho, marca um momento importante para a saúde pública brasileira. Em 2026, o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) completa 25 anos, consolidando-se como uma das principais ferramentas para o diagnóstico precoce de doenças graves em recém-nascidos. Apesar dos avanços conquistados ao longo desse período, especialistas alertam que ainda existem desafios que impedem que milhares de crianças tenham acesso ao exame e ao tratamento no tempo adequado.

A preocupação é da Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM). Segundo a presidente da entidade, a médica geneticista Dra. Carolina Fischinger, o país ainda enfrenta problemas relacionados à cobertura do programa, à coleta tardia das amostras e às diferenças na oferta do exame entre os estados.

“Os dados mostram a necessidade de um programa de educação continuada das gestantes sobre a importância de se submeter o bebê ao teste do pezinho, como também de fazê-lo na primeira semana de vida”, destaca a especialista.

De acordo com a SBTEIM, embora o Teste do Pezinho tenha eficácia comprovada e seja considerado uma das estratégias mais importantes para a prevenção de doenças graves na infância, a realidade ainda é marcada por desigualdades regionais. A ampliação da triagem neonatal prevista em lei ainda não foi implementada de forma completa em todo o território nacional.

O exame é realizado por meio da coleta de gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido e permite identificar doenças genéticas, metabólicas, endócrinas e infecciosas antes mesmo do surgimento dos sintomas. Quando diagnosticadas precocemente, muitas dessas condições podem ser tratadas de forma eficaz, reduzindo riscos e garantindo melhor qualidade de vida aos pacientes.

A biomédica Dra. Eliane Santos explica que ainda existem muitas dúvidas entre pais e responsáveis sobre o procedimento. Segundo ela, uma das confusões mais comuns é acreditar que o Teste do Pezinho é o mesmo que o carimbo plantar feito nas maternidades.

Enquanto o carimbo tem função de identificação do bebê, o Teste do Pezinho é um exame laboratorial que investiga doenças capazes de comprometer o desenvolvimento da criança quando não diagnosticadas precocemente.

A especialista também esclarece que o resultado não fica pronto imediatamente após a coleta. O material precisa passar por análise laboratorial e, quando há suspeita de alguma alteração, a equipe responsável entra em contato para a realização de exames complementares e início do acompanhamento médico.

Ao completar 25 anos, o Programa Nacional de Triagem Neonatal segue sendo uma das mais importantes políticas públicas voltadas à saúde infantil no Brasil. Para a presidente da SBTEIM, Dra. Carolina Fischinger, o desafio agora é garantir que o diagnóstico precoce venha acompanhado de acesso ao tratamento e ao acompanhamento especializado em todas as regiões do país.

Com os avanços da triagem neonatal e a ampliação gradual do acesso ao exame, especialistas destacam a importância da conscientização das famílias sobre a realização do Teste do Pezinho nos primeiros dias de vida. Um procedimento simples, rápido e seguro que pode contribuir diretamente para o diagnóstico precoce e para um futuro mais saudável para milhares de crianças em todo o país.

Ao longo de 25 anos, o Teste do Pezinho ajudou a transformar a trajetória de milhares de crianças brasileiras. E a missão continua sendo garantir que cada recém-nascido tenha a oportunidade de começar a vida com mais proteção, acesso ao diagnóstico precoce e acompanhamento adequado. Porque, muitas vezes, algumas gotas de sangue coletadas nos primeiros dias de vida podem representar anos de saúde, desenvolvimento e qualidade de vida para toda uma família.

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