Amores a Tatá Werneck no tapete do lançamento de “Quem Ama Cuida”, dando uma entrevista daquelas que a imprensa pede comportada e ela entrega com tudo. Coloquei no volume máximo e ouvi do começo ao fim.
Questionada sobre a crítica recorrente de que faz sempre o mesmo tipo de personagem, Tatá foi direta: hoje lida bem com qualquer crítica, mas se dá o direito de explicar. As personagens dela compartilham um universo parecido, todas malucas e sem filtro, porém com tons completamente diferentes de uma para a outra. A única exceção que ela mesma admitiu foi “A Força do Querer”: ia fazer a Marizete, virou Danda, e nunca conseguiu se separar totalmente da personagem. Daí em diante a crítica se colou.
Quem acompanha a trajetória da Tatá na Globo sabe que a linha entre ela e as personagens sempre foi tênue, e ela mesma confirma que empresta partes de si. O problema, como ela apontou, é que isso nunca foi cobrado com a mesma intensidade de atores homens que repetem o mesmo personagem de novela em novela há décadas, e todo mundo no meio sabe exatamente de quem ela está falando, mesmo sem citar nome.
O Choquei postou o vídeo e a internet rachou ao meio, como sempre que a Tatá abre a boca com intenção. Uma parte da audiência aplaudiu a transparência e a coragem de nomear o machismo da indústria. A outra insistiu que a crítica tem fundamento independente de gênero. Nos comentários, os nomes de atores começaram a aparecer por conta própria, e o debate virou aquela bagunça deliciosa de X que a coluna acompanha de longe com pipoca na mão.
A Tatá falou o que muita gente no meio guarda pra roda fechada. E ela tem razão: tem ator de Globo que repete o mesmo cara mal-humorado de terno desde 1998 e a imprensa chama de consistência. A Tatá repete a neurótica engraçada e chamam de limitação. Isso tem nome, e ela teve o bom gosto de dizer no microfone aberto.