Gente, eu precisei ouvir duas vezes! Aqui no Botafogo , acompanhando essa novela política que parece não ter fim, dei de cara com Tiago Pavinatto contando que recebeu uma ligação de Tarcísio de Freitas. E não foi qualquer telefonema, minhas queridas. Depois das declarações duríssimas que fez sobre o governador de São Paulo, o apresentador do Metrópoles revelou, na sexta-feira (30), que o próprio Tarcísio resolveu procurá-lo. E a conversa tomou um rumo que, segundo Pavinatto, o deixou impressionado.
O barraco começou na quinta-feira (29), quando Pavinatto levantou suspeitas sobre uma possível aproximação entre Tarcísio e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A discussão surgiu após comentários de Paulo Figueiredo sobre um suposto informante de Moraes ligado ao entorno de Flávio Bolsonaro. Pavinatto questionou o papel do governador nessa história, mas não apresentou provas de que Tarcísio tivesse repassado informações ao ministro. A declaração ganhou repercussão e acabou reproduzida por outros veículos.
Agora vem a parte que me fez arregalar os olhos. Ao retomar o assunto em seu programa, Pavinatto contou que Tarcísio telefonou para explicar sua versão dos acontecimentos. Segundo o jornalista, o governador começou dizendo que não pretendia criticá-lo pelo que havia falado. Reconheceu que aquela era uma análise feita para sua audiência e que o apresentador tinha o direito de expressar sua interpretação dos fatos. Pavinatto afirmou ter ficado impressionado com a maneira como a conversa começou.
E Tarcísio, segundo o relato, foi além. O governador teria explicado que não acredita em processar jornalistas, abafar críticas ou pagar profissionais da imprensa para falar bem de seu governo. Disse ainda que queria apresentar seu lado da história e esclarecer como funciona sua rotina à frente do Executivo paulista, especialmente nas relações com diferentes personagens políticos de Brasília. Tudo isso depois de ter sido alvo de questionamentos bastante contundentes. Convenhamos, minhas queridas, não é exatamente o tipo de telefonema que se espera depois de uma pancadaria política.
O detalhe mais interessante dessa história está justamente na reação do apresentador. Pavinatto não escondeu a surpresa com a postura atribuída ao governador. E eu fiquei pensando aqui: quantas vezes uma crítica pública termina com os envolvidos conversando diretamente, em vez de trocarem acusações pela imprensa? Isso não significa que as suspeitas levantadas anteriormente tenham sido comprovadas, muito menos que o telefonema tenha esclarecido todos os pontos da controvérsia. Significa apenas que Tarcísio decidiu apresentar sua versão ao jornalista que o havia questionado.
E vou dizer uma coisa: nessa história, o telefonema acabou ficando tão interessante quanto a crítica que o provocou. Pavinatto fez sua análise, Tarcísio procurou o apresentador e, segundo o relato levado ao ar, defendeu o direito de ser criticado. Eu continuo querendo saber o conteúdo completo dos esclarecimentos sobre Brasília. Porque a conversa pode ter sido civilizada, minhas queridas, mas as perguntas políticas que deram origem a esse enredo continuam merecendo respostas.