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Kátia Flávia
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Tamara Klink, autora de best-seller, pede que leitores parem de comprar seu livro: “Doem ou emprestem”

Tamara Klink, que está entre os mais vendidos da Amazon com Bom Dia, Inverno, fez apelo ambiental para que a obra circule por bibliotecas, famílias e amigos

Kátia Flávia

09/08/2026 9h44

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Tamara Klink pediu que leitores parem de comprar Bom Dia, Inverno e priorizem doações ou empréstimos.

Tamara Klink surpreendeu os leitores ao pedir que o público pare de comprar seu livro Bom Dia, Inverno, lançado em maio pela Companhia das Letras. A escritora e velejadora publicou um vídeo nas redes sociais defendendo que a obra, hoje entre as mais vendidas da Amazon, circule por empréstimos, doações e bibliotecas.

Eu já tinha passado pelo portão em Madri e estava naquele corredor comprido antes do avião, onde todo mundo finge calma enquanto procura o assento no cartão de embarque pela terceira vez, quando apareceu Tamara Klink pedindo para as pessoas não comprarem mais o próprio best-seller. Parei no meio do fluxo. Só uma mulher que ficou oito meses isolada no Ártico mesmo para ter coragem de olhar para o mercado editorial e dizer: chega de vender, vamos fazer esse livro circular.

No vídeo, Tamara explicou que sua preocupação é ambiental. Para ela, já existem muitos exemplares de Bom Dia, Inverno espalhados pelo Brasil, e o ideal agora é que esses livros sejam compartilhados entre leitores.
“Já tem muitos livros Bom Dia, Inverno circulando pelo Brasil. Se vocês puderem, tiverem acesso a uma biblioteca ou tiverem pessoas da família, colegas, pessoas do trabalho, façam os livros circularem. É para isso que eles existem”, disse.

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O livro está entre os mais vendidos da Amazon, atrás de obras de Kafka e Graciliano Ramos.

A frase parece simples, mas é quase um motim educado contra a lógica do ranking. Enquanto todo autor sonha em subir na lista dos mais vendidos, Tamara apareceu em terceiro lugar na Amazon e resolveu lembrar que livro não nasceu para virar troféu parado na estante.
Atualmente, Bom Dia, Inverno aparece atrás apenas de A Metamorfose, de Franz Kafka, e Vidas Secas, de Graciliano Ramos, entre os mais vendidos da plataforma. Ou seja, ela não está pedindo circulação porque o livro encalhou. Está pedindo justamente quando ele vende bem.

Tamara também falou sobre o impacto material de uma obra impressa. “É muito triste, para um livro, acabar em uma biblioteca e só ser lido uma vez. Tem um monte de papel, um monte de energia que foi gasta da natureza para esse livro existir”, afirmou.
Eu achei bonito e ligeiramente humilhante para a minha mala, que neste momento carrega três livros que eu comprei com a convicção de quem ia ler tudo na viagem e voltou só com marcador de página avançado por culpa do vento. Tamara tem razão: livro bom precisa andar. Livro parado começa a julgar a gente da prateleira.

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Obra relata os oito meses em que Tamara viveu isolada em um veleiro no Ártico.

A escritora voltou a pedir que leitores doem ou peguem emprestado o livro. Ela também estimulou seguidores a compartilharem endereços de bibliotecas que ainda não têm exemplares de Bom Dia, Inverno.
“O mais legal de um livro e o mais legal do que qualquer objeto — como vocês que leram o livro sabem — é esse objeto circular e cumprir sua função pelo máximo de tempo possível para fazer jus aos recursos de energia gastos para ele existir no planeta”, declarou.

Bom Dia, Inverno relata a preparação e os oito meses, entre outubro de 2023 e maio de 2024, em que Tamara viveu isolada em um veleiro no Ártico, no mar congelado da Groenlândia, com comunicação mínima com o resto do mundo.
E talvez venha daí a força do pedido. Quem passou meses cercada por gelo, silêncio e natureza extrema entende melhor do que muita gente o peso de cada recurso gasto. Para Tamara, o livro não termina na compra. Ele começa quando passa de mão em mão.

Antes de entrar no avião, fiquei pensando que esse é o tipo de contradição deliciosa que só a cultura oferece: uma autora de best-seller pedindo menos consumo e mais circulação. O mercado deve ter engasgado. As bibliotecas, se forem espertas, já podem preparar a plaquinha: “procura-se exemplar de Tamara Klink”.

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