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Kátia Flávia
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Submuscular ou subglandular? Dr. Alexandre Augusto explica qual é a diferença

Entenda as diferenças entre as posições subglandular, submuscular e dual plane e por que a escolha depende da anatomia e dos objetivos de cada paciente

Kátia Flávia

02/10/2026 19h15

Dr. Alexandre Augusto Gomes Alves explica as diferenças entre as posições subglandular, submuscular e dual plane para próteses mamárias.

Dr. Alexandre Augusto Gomes Alves explica as diferenças entre as posições subglandular, submuscular e dual plane para próteses mamárias.

Uma das dúvidas mais comuns entre mulheres que desejam colocar prótese de mama é sobre o local onde o implante será posicionado: por cima ou por baixo do músculo. Apesar de parecer uma decisão simples, a escolha envolve características individuais, como quantidade de tecido mamário, espessura da pele, formato do tórax, rotina de exercícios e resultado esperado.

Para o cirurgião Dr. Alexandre Augusto Gomes Alves, a pergunta que mais recebe em seu consultório é “Doutor, é melhor colocar a prótese por cima ou por baixo do músculo?”. Para ele, não existe uma única resposta.

“A posição do implante é uma parte importante do planejamento, mas não determina sozinha se a mama ficará bonita ou natural. O tamanho da prótese, a quantidade de tecido que irá cobri-la e a presença de flacidez também precisam ser avaliados”, explica.

Qual a diferença entre as posições?

Na técnica subglandular, o implante fica atrás do tecido mamário e à frente do músculo peitoral. Já na submuscular, a prótese fica parcial ou totalmente sob o músculo. Existe ainda o dual plane, em que o músculo cobre principalmente a parte superior do implante, enquanto a região inferior permanece sob o tecido mamário.

A posição subglandular pode ser considerada quando existe tecido suficiente para proporcionar boa cobertura. Uma de suas características é não exigir a mobilização do músculo peitoral.

Já o posicionamento submuscular oferece uma camada adicional de cobertura, especialmente na parte superior da mama, o que pode ser relevante para pacientes com pouco tecido mamário.

“Em uma paciente muito magra, com pouco tecido mamário, a cobertura muscular na parte superior pode ajudar a disfarçar o contorno da prótese. Já uma paciente com boa cobertura pode obter um resultado igualmente harmonioso com a posição subglandular”, afirma Alexandre.

Técnicas com resultados mais naturais, mas que podem elevar o tempo de recuperação

As duas técnicas podem produzir resultados naturais. O aspecto final depende da relação entre o implante e os tecidos que o recobrem, além do tamanho escolhido.

Em pacientes com pouca cobertura, bordas ou ondulações da prótese podem ficar mais aparentes. Por outro lado, um implante desproporcional às medidas do tórax pode comprometer o resultado independentemente do plano utilizado.

“Essas são tendências gerais, não uma receita. A espessura dos tecidos e o tamanho escolhido podem mudar bastante o resultado em qualquer uma das posições”, ressalta o cirurgião.

Na posição submuscular, pode haver maior desconforto muscular inicial devido à manipulação do peitoral. Na subglandular, o músculo não é mobilizado da mesma maneira. Ainda assim, não existe um prazo fixo de recuperação, já que a evolução varia de acordo com cada paciente e com a técnica utilizada.

Para mulheres que praticam musculação, por exemplo, a escolha merece atenção especial. Quando a prótese está atrás do músculo, sua contração pode provocar o chamado efeito de animação, caracterizado por uma mudança temporária no formato ou na posição da mama durante a contração do peitoral.

Outro ponto que o médico reforça é a contratura capsular. Esse endurecimento ocorre quando a cápsula de tecido formada naturalmente ao redor do implante se torna sólida e pode comprimir a prótese.

Estudos científicos apontam associação entre o posicionamento submuscular e menores taxas de contratura capsular em comparação ao subglandular. Isso, porém, não significa risco zero nem faz com que uma técnica seja automaticamente indicada para todas as pacientes.

A prótese interfere na mamografia?

A presença do implante não impede a realização da mamografia, mas pode dificultar a visualização de parte do tecido mamário. Por isso, a paciente deve informar ao serviço de diagnóstico que possui próteses. Técnicas adicionais podem ser utilizadas para melhorar a avaliação das mamas.

O acompanhamento para rastreamento do câncer de mama também deve seguir as recomendações médicas. O INCA atualmente indica, para o rastreamento populacional, mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos, considerando as evidências disponíveis sobre benefícios e riscos.

A prótese precisa ser trocada após dez anos?

Não existe uma regra de que toda prótese precise ser substituída exatamente após dez anos. A FDA considera os implantes mamários dispositivos que não são permanentes e ressalta que a possibilidade de uma nova cirurgia aumenta com o tempo.

A substituição pode ser necessária em situações como ruptura, contratura capsular, alterações estéticas ou outras complicações. Para implantes de silicone, a FDA recomenda ultrassonografia ou ressonância magnética para avaliar a integridade do implante entre cinco e seis anos após a cirurgia e, depois, a cada dois ou três anos, mesmo na ausência de sintomas.

A escolha é individual e precisa ser assistida por um bom especialista

Mais do que definir se a prótese ficará “por cima” ou “por baixo” do músculo, o planejamento deve considerar o conjunto de características da paciente.

“Na consulta, avalio a quantidade de tecido mamário, a espessura da cobertura, a qualidade da pele, a posição das mamas, as medidas do tórax, a rotina de exercícios e as expectativas da paciente”, explica o médico.

Para o cirurgião, não existe um plano universalmente melhor. A escolha deve ser feita a partir da anatomia, dos objetivos e de uma conversa clara sobre benefícios, limitações e possíveis riscos de cada técnica.

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