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Kátia Flávia
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“Suas merdas”: Líder do Metallica ataca artistas que se posicionam politicamente

Vocalista disse que a banda não usa o palco para influenciar fãs, mas repertório do grupo é marcado por músicas sobre guerra, poder e violência

Kátia Flávia

13/10/2026 10h28

James Hetfield fez discurso contra posicionamentos políticos durante show em Las Vegas

James Hetfield fez discurso contra posicionamentos políticos durante show em Las Vegas

James Hetfield atacou artistas que se posicionam politicamente durante um show do Metallica na Sphere, em Las Vegas, no sábado (10). O vocalista afirmou que a banda não está ali, “como alguns outros artistas”, para influenciar o público com “as merdas deles”.

Eu saí da parada antes da serra, entrei de novo na Estrada Nacional 9 rumo a Sintra e quase perdi a curva com a declaração. Meu amor, o homem pega um palco numa esfera gigante em Las Vegas para avisar que não quer influenciar ninguém. Só faltou tocar “Master of Puppets” em volume baixo para não incomodar.

Hetfield afirmou que o objetivo do Metallica é oferecer “amor, energia e música pesada”, sem transformar o show em palanque. “Estamos aqui para esquecer todas as bobagens lá de fora”, disse à plateia durante a residência “Life Burns Faster”.

A fala teria passado por simples discurso de escapismo, não fosse o pequeno detalhe chamado catálogo do Metallica. “One” acompanha o horror de um soldado mutilado pela guerra; “Disposable Heroes” critica a transformação de jovens em instrumentos descartáveis de conflito; “Eye of the Beholder” questiona a liberdade submetida ao poder.

Eu subia a estrada de Sintra olhando a serra e pensando que rock de protesto parece ótimo enquanto vende camiseta preta, estádio lotado e ingresso de Las Vegas. Mas, quando outro artista usa o microfone para falar de guerra, autoritarismo ou direitos, aí vira “merda”. A conta não fecha nem com solo de guitarra.

Não se posicionar também é uma escolha política, e Hetfield deixou isso muito claro ao atacar quem escolhe fazer o contrário. O Metallica pode decidir não apoiar candidato, governo ou causa no palco, mas transformar o silêncio em medalha moral é outra conversa.

A declaração reacendeu a velha contradição do rock endinheirado: cantar rebeldia contra o sistema é charmoso; ver artistas falando do mundo real, aparentemente, estraga a diversão. E o mundo real, para a infelicidade de James, costuma entrar no camarim mesmo quando a banda fecha a porta.

Eu parei o carro já perto de Sintra e fiquei uns segundos olhando para a estrada. Hetfield tem direito de querer show sem discurso, claro. Mas chamar de bobagem a fala de quem usa arte para enfrentar injustiça é pose de roqueiro que ainda veste couro, mas já tem medo de qualquer assunto que não caiba numa guitarra.

O Metallica segue com a residência na Sphere até 2027. E, pelo jeito, com uma regra simples: pode tocar música sobre guerra, morte e opressão, desde que ninguém ouse lembrar que isso tudo também é política.

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