Eu tinha acabado de sair de Belém e parei na LX Factory, em Alcântara, para dar uma volta entre as lojinhas da antiga fábrica, quando o telefone tocou com o assunto do dia no Brasil. Parei no meio da calçada. A filha da Solange Gomes resolveu falar da sexualidade dos colegas de confinamento, e eu confesso que fiquei com a sacola numa mão e a cara de desgosto na outra.

A história é esta. Stephanie Gomes, (que está lindíssima!) primeira eliminada da 18ª edição de A Fazenda, publicou no X que não gosta dessa mania de tentar adivinhar a sexualidade de alguém, porque ninguém sabe o que acontece na casa de cada um e isso pode causar um problemão por causa de “brincadeira”. Na mesma postagem, contou que dois participantes se assumiram lá dentro, sem ninguém forçar. Até aí, discurso bonito. Aí os seguidores perguntaram quem eram, e ela respondeu que Renata Del Bianco disse ser pansexual e Jonatas Faro disse ser bissexual.

Gente, eu só vou colocar uma coisa do lado da outra. Primeiro ela diz que especular sobre a sexualidade alheia pode causar enorme problema. Depois, entrega os dois nomes para quem perguntou. E tem um detalhe que piora: segundo reportagens sobre o caso, esses momentos não foram exibidos pela Record. Ou seja, o público nem viu. Quem contou foi ela, fora da casa, pelo celular.
Eu acho meio pejorativo esse hábito de transformar a orientação sexual de alguém em babado de reality. Ser bi ou pan não é escândalo nenhum, e justamente por isso não precisa virar manchete na boca de terceiros. Quem quiser falar disso fala quando, onde e como quiser, porque a história é da pessoa. Jonatas e Renata continuam confinados, sem celular, sem saber que viraram assunto aqui fora e sem poder dar a própria versão.

Stephanie saiu da Fazenda com 19,71% dos votos e, numa live com Christina Rocha depois da eliminação, contou que desta vez entrou mais preparada emocionalmente do que na passagem por A Grande Conquista, também da Record, e que não se arrepende. A preparação emocional eu não discuto, cada um sabe da sua. Mas a preparação para segurar a língua, pelo visto, ficou na mala.
Eu voltei para a sacola e para as lojinhas de Alcântara pensando que, na dúvida, a regra é simples: se a própria pessoa não contou para o Brasil, não sou eu nem a ex-colega de confinamento que vai contar.